PRIO pode elevar o Ebitda em 14% no terceiro trimestre, apontam projeções
Projeções do Banco Safra apontam para um Ebitda ajustado de 999 milhões de dólares na PRIO no terceiro trimestre de 2026, um crescimento de 14% face aos três meses anteriores. As estimativas vêm a público nas vésperas da temporada de balanços do setor de petróleo e gás, marcada por resultados divergentes entre produtoras e distribuidoras.
As projeções para o terceiro trimestre de 2026 colocam a PRIO entre os desempenhos mais expressivos do setor de petróleo e gás brasileiro. Segundo um relatório do Banco Safra divulgado numa quinta-feira, dia 29, o Ebitda ajustado da companhia deve crescer 14% face ao trimestre anterior, atingindo 999 milhões de dólares entre julho e setembro.
O crescimento estaria associado ao aumento dos volumes comercializados, à contribuição de novos ativos e à redução dos custos de extração. O Safra estima que os volumes subam 12% face ao segundo trimestre, beneficiados pela contribuição integral do campo de Wahoo e pelo início da operação de um novo poço no campo de Frade.
No que respeita aos custos, o banco aponta para um lifting cost — o indicador que mede o custo operacional de extração — próximo de 7,50 dólares por barril, apoiado por iniciativas de controlo de despesas no campo de Peregrino. Com a combinação de maiores volumes e menor custo unitário, a margem de Ebitda ajustado deverá situar-se em 77%.
O quadro do terceiro trimestre é heterogéneo entre as empresas do setor. O Safra projeta uma queda de 11% no Ebitda ajustado da PetroReconcavo, pressionada pelos preços de comercialização e pelos contratos de proteção financeira, apesar de um crescimento de cerca de 4% nos volumes entregues. Na Brava Energia, a análise prevê um recuo de 3% no Ebitda ajustado do segmento de exploração e produção.
Nas distribuidoras de combustíveis, a expectativa é de margens mais contidas depois de um segundo trimestre particularmente favorável. Para a Vibra Energia, o Safra estima um recuo de 17% na margem unitária, com um crescimento de 5% nos volumes vendidos em comparação anual. A Ultrapar deverá sentir efeitos semelhantes nos negócios como a Ipiranga e a Ultragaz, com uma retração de 12% no Ebitda consolidado, segundo o mesmo relatório.
A XP Investimentos, em relatório publicado na quarta-feira, dia 28, avaliou que as condições de mercado continuam favoráveis às grandes companhias do segmento, beneficiadas pela diferença entre os preços praticados nas refinarias nacionais e os valores de paridade de importação. A instituição manteve a recomendação de compra para a Vibra e elevou o preço-alvo de 39 para 44 reais por ação, e subiu o preço-alvo da Ultrapar de 34 para 41 reais, mantendo a recomendação neutra.
A temporada de balanços arranca em novembro: a PRIO e a Vibra divulgam os resultados a 4 de novembro, a PetroReconcavo a 5 de novembro e a Brava Energia a 9 de novembro. Os números divulgados dependerão, em qualquer caso, das demonstrações financeiras publicadas por cada companhia.
Porque importa
As projeções sugerem que a expansão da produção e o controlo de custos estão a traduzir-se em resultado operacional na PRIO, num trimestre em que parte das concorrentes vê as margens pressionadas. A divulgação dos balanços permitirá a investidores e ao mercado perceber que empresas conseguem converter produção adicional em geração de caixa e que empresas continuam dependentes das condições internacionais de preços.