OutroNTT Data1 de novembro de 2026

IA é prioridade nos seguros, mas só 22% das aplicações chegam à escala, aponta NTT Data

Segundo o relatório Insurtech Global Outlook 2026 da NTT Data, 82% dos líderes do sector dos seguros consideram a inteligência artificial uma prioridade estratégica, mas apenas 22% têm aplicações escaláveis em produção. Os principais obstáculos apontados são sistemas antigos, informação fragmentada e a gestão da mudança interna.

A inteligência artificial é considerada uma prioridade estratégica por 82% dos líderes do sector dos seguros, mas apenas 22% afirmam ter aplicações escaláveis em produção, segundo o relatório Insurtech Global Outlook 2026, da NTT Data. Os dados foram consolidados a partir de levantamentos globais de maturidade digital e adoção de IA no ciclo de 2025–2026.

De acordo com a consultoria, atingir escala significa incorporar a tecnologia aos processos e sistemas centrais da seguradora, com distribuição entre unidades de negócio e regras de supervisão — algo que vai além do uso de ferramentas isoladas para resumir documentos ou automatizar tarefas.

Para Hugo Assis, head da área de Seguros da NTT Data, os obstáculos incluem sistemas antigos, informação fragmentada e receio de exposição de dados sensíveis, mas o fator que mais pesa é a organização dos processos e a gestão da mudança, com a inércia institucional. Na sua avaliação, parte das seguradoras procura encaixar a IA nos fluxos existentes sem rever como as atividades se conectam, pelo que o ganho fica muitas vezes restrito a uma única tarefa.

No mercado brasileiro, Assis identifica maior maturidade no atendimento ao cliente, no apoio ao corretor e nas fases iniciais de sinistros de ramos massificados, como o automóvel e o habitação. Na subscrição de grandes riscos, o uso de IA generativa para analisar relatórios de engenharia, laudos e apólices anteriores concentra-se ainda em apoio ao profissional, enquanto sistemas capazes de executar processos completos com autonomia permanecem restritos a ambientes controlados.

O relatório apresenta ganhos em aplicações concretas. Na plataforma de subscrição comercial da Sixfold, foram registadas respostas a cotações cerca de 35% mais rápidas e uma redução do tempo de preparo de encaminhamentos técnicos de aproximadamente 60 minutos para um minuto. Em operações de atendimento por voz, os dados apontam ganhos de produtividade de 20% a 30% e um aumento de 10% a 20% na resolução na primeira chamada. A NTT Data esclarece que se trata de exemplos acompanhados e não de uma média de desempenho do sector, sem detalhar períodos de medição, custos totais ou seguradoras envolvidas.

Assis sublinha ainda que o custo de supervisão, absorvibilidade e governança não é marginal, defendendo limites financeiros, critérios de elegibilidade e mecanismos para interromper a automação quando o caso foge dos parâmetros aprovados. O relatório cita ainda o Global Cybersecurity Outlook 2026 do Fórum Económico Mundial, segundo o qual 34% dos inquiridos apontam fugas associadas à IA generativa como principal preocupação de cibersegurança — um indicador de universo multissetorial, e não exclusivo das seguradoras.

Porque importa

A distância entre a ambição estratégica (82%) e a escala real (22%) mostra que o desafio dos seguros não é tecnológico, mas operacional e organizacional. Para quem procura emprego ou mudança de carreira, o setor começa a valorizar perfis capazes de governar, supervisar e rever processos automatizados, e não apenas de os construir.

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