CISO da Ageas Portugal defende testes e exercícios de crise para provar cibersegurança
Ricardo Evangelista, CISO da Ageas Portugal, participou na conferência Future of Cyber, organizada pelo ECO em parceria com a Deloitte, onde defendeu que a confiança em matéria de cibersegurança só se constrói com factos. O debate teve lugar enquanto o Governo admite rever as redes do Estado para reforçar a cibersegurança.
Ricardo Evangelista, diretor de segurança da informação (CISO) da Ageas Portugal, participou na conferência Future of Cyber, organizada pelo ECO em parceria com a Deloitte, onde recusou a ideia de que a ausência de ataques conhecidos prova que uma empresa está segura.
No debate "Cyber: From Trust to Action", moderado por Flávio Nunes, editor executivo do ECO, Evangelista afirmou que só "com provas dadas, com factos" é que consegue transmitir essa confiança. Para o responsável da Ageas Portugal, é necessário realizar testes aos sistemas e exercícios de crise com fornecedores críticos, cuja falha pode deixar os clientes sem serviço.
Entre as recomendações que deixou às administrações das empresas, Evangelista insistiu na importância de "continuar a fazer perguntas", que não têm de ser necessariamente técnicas, mas que permitem perceber o nível de exposição das organizações aos riscos que enfrentam. O CISO da Ageas Portugal apontou ainda a utilização de ferramentas não autorizadas pelos trabalhadores, conhecida como shadow AI, como um dos riscos que mais pode crescer nos próximos anos.
No mesmo evento, o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Tiago Macieirinha, questionou a dispersão de estruturas de comunicação no Estado e anunciou reforços de investimento, lembrando que o orçamento do Gabinete Nacional de Segurança, que integra o Centro Nacional de Cibersegurança, cresceu mais de 50% em 2025 e novamente mais de 50% em 2026.
Porque importa
A posição da Ageas Portugal chega num momento em que as empresas europeias têm de cumprir a NIS2 e o Cyber Resilience Act, sem que a maior parte dos problemas se resolva apenas com leis, segundo Tiago Macieirinha. Um estudo da Deloitte, que ouviu mais de mil líderes, identificou uma diferença de 15 pontos percentuais entre a confiança das organizações na sua estratégia e a perceção de capacidade para responder a incidentes.