Mutares vende a Stuart e mantém Efacec em foco para possível saída em 2027
A Mutares anunciou a venda da plataforma de logística Stuart à Quiver, dando mais um passo na reestruturação do seu portfólio. Em paralelo, a holding alemã mantém em estudo a saída da portuguesa Efacec, com uma decisão apenas possível a partir de 2027.
A Mutares SE & Co. KGaA anunciou a 2 de novembro a venda da SRT Group SAS e respetivas sociedades filiais, operadas sob a marca Stuart, à Quiver. A operação enquadra-se na estratégia da holding de reduzir a exposição ao segmento de retalho e de concretizar maisvalias depois de estabilizar as empresas do seu portfólio, segundo noticiaram a Börse Express, a goldesel e a Finanztrends.
A Stuart é uma das principais plataformas de logística urbana e de última milha na Europa, com atividade em França, Reino Unido e Polónia, faturação na ordem dos 50 milhões de euros e cerca de 70 colaboradores. A Mutares adquiriu a empresa em 2023 e, desde então, diz ter alargado a base de clientes, investido em tecnologia e reduzido o custo por encomenda. O preço de venda não foi divulgado.
No mesmo comunicado, a Mutares apresentou uma atualização detalhada da Efacec Group, sediada no Porto e ativa na tecnologia de redes e de infraestruturas ferroviárias. A empresa terminou os primeiros nove meses de 2026 com 229 milhões de euros de receitas e um EBITDA ajustado de 34 milhões de euros. O carrego de encomendas superou o mil milhões de euros em setembro, impulsionado por 334 milhões de euros de novas encomendas desde o início do ano e por um rácio entre encomendas e faturação de 1,5.
Para o conjunto de 2026, a direção projeta receitas entre 320 e 335 milhões de euros e EBITDA entre 45 e 55 milhões de euros, com metas intermédias acima de 500 milhões de euros de receitas e de 100 milhões de euros de EBITDA. A Mutares revelou que está a avaliar opções estratégicas de saída da Efacec, com um horizonte mínimo apontado para 2027, sem que exista até agora qualquer decisão sobre uma transação. A divulgação dos resultados do terceiro trimestre da Mutares está marcada para 12 de novembro.
Porque importa
O possível desfecho da Efacec é uma das maiores operações de reestruturação em curso numa empresa industrial portuguesa, e o carrego de encomendas acima do mil milhões de euros dá visibilidade futura às receitas. Ainda assim, a saída da Mutares não está decidida nem datada, pelo que o impacto concreto no negócio e no emprego da Efacec depende de decisões que só devem ser conhecidas a partir de 2027.