IA não vai eliminar profissões inteiras, mas vai alterar tarefas, aponta estudo do McKinsey Global Institute

Um estudo do McKinsey Global Institute conclui que 56% das horas trabalhadas no Brasil têm potencial técnico de automação com tecnologias já existentes, o que não significa a eliminação de metade dos empregos. A transformação acontece ao nível das tarefas, alterando o conteúdo das funções e exigindo novas competências.

O debate sobre inteligência artificial e o trabalho costuma começar pela pergunta de que profissões serão substituídas, mas parte da análise está em olhar apenas para profissões inteiras, sem observar onde a transformação realmente ocorre. Segundo um estudo do McKinsey Global Institute, no Brasil 56% das horas de trabalho atuais têm potencial técnico de automação com tecnologias já existentes — indicador que não significa que metade dos empregos desaparecerá, nem que todo esse potencial venha a ser adotado.

A tecnologia afeta as atividades de cada profissão de forma desigual: algumas podem ser automatizadas, outras ampliadas pela IA, enquanto outras continuarão a depender de julgamento, contexto e interação humana. Nesse sentido, a avaliação do estudo aponta que a distinção entre tarefas deve estar no centro da agenda dos líderes de recursos humanos: o cargo continua a ser uma unidade importante de gestão, mas deixa de ser suficiente para explicar como o trabalho acontece quando pessoas passam a trabalhar ao lado de agentes e robôs.

Um caso citado no estudo ilustra a reconfiguração. Um banco latino-americano analisado pelo McKinsey Global Institute via a avaliação de crédito demorar mais de 40 dias e exigir que os analistas recolhessem manualmente informações dispersas, efetuassem cálculos e preparassem memorandos. A instituição introduziu 45 agentes especializados em diferentes partes desse fluxo, da extração de informações à identificação de inconsistências e riscos: o memorando passou a atingir 85% de maturidade em apenas algumas horas e o tempo total de decisão caiu 55%. O trabalho do analista deslocou-se da recolha e do processamento de informações para a revisão dos resultados, a questão das conclusões e a decisão final.

Porque importa

O estudo mostra que a maioria das competências permanece relevante, mas passa a ser exercida num contexto diferente: entre cerca de 7 mil competências analisadas no Brasil, 64% estão associadas tanto a atividades automatizáveis como a atividades que continuam a depender de pessoas. Isto desloca a agenda de recursos humanos, que deixa de se concentrar apenas na preparação dos profissionais para funções em transformação e passa a envolvê-los no próprio redesenho dessas funções. Para as empresas, a questão deixa de ser quantas pessoas precisam em cada função e passa a ser o que elas efetivamente fazem.

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