Coverflex: 90% dos trabalhadores quer que a saúde faça parte da compensação
Um estudo da Coverflex intitulado 'A saúde das empresas em 2026' conclui que 90% dos trabalhadores consideram que a saúde deve integrar a sua compensação. Os dados foram divulgados numa entrevista ao diretor global de Seguros da empresa, Andrés Quiles.
A saúde deixou de ser uma questão secundária para se tornar um fator que influencia a experiência do trabalhador e a decisão de ingressar numa empresa. É essa a conclusão do estudo A saúde das empresas em 2026, da plataforma Coverflex, que analisa como os trabalhadores percebem o bem-estar oferecido pelas organizações e que margem de melhoria existe nas políticas de compensação.
Os principais dados foram divulgados numa entrevista a Andrés Quiles, diretor global de Seguros da Coverflex, que detalhou as conclusões do relatório, analisando a perceção dos trabalhadores segundo variáveis como a geração, o género e o tamanho e a tipologia da empresa. Um dos dados mais destacados é que 90% dos trabalhadores considera que a saúde deve fazer parte da sua compensação, uma exigência que a empresa afirma ultrapassar as diferenças geracionais.
O estudo quantifica também desafios presentes no ambiente de trabalho. Segundo os dados partilhados na entrevista, 79% dos trabalhadores já experimentou stress laboral nos últimos quatro meses. Embora a situação tenha uma incidência especialmente visível entre a geração Z, a Coverflex sublinha que isso não implica necessariamente maior fragilidade, mas também maior disponibilidade para expressar o descontentamento.
A isso soma-se a dificuldade em separar a vida profissional da pessoal: apenas 20% dos trabalhadores afirma ser capaz de se desligar sempre das suas obrigações laborais, enquanto 45% considera que consegue conciliar a vida pessoal e a profissional.
O seguro de saúde, o benefício mais procurado
Outro ponto central do relatório é a distância entre as expectativas dos trabalhadores e a oferta das empresas. O seguro de saúde destaca-se como o benefício mais procurado, mas apenas 48% das empresas o oferece atualmente, de acordo com os dados apresentados na entrevista. A procura inclui também acesso célere aos cuidados de saúde e aos serviços de saúde mental.
Para a Coverflex, reduzir esta lacuna não passa apenas por oferecer mais benefícios, mas por adaptá-los às necessidades de cada profissional. A convivência de quatro gerações nas empresas torna necessário avançar para uma compensação mais personalizada, que tenha em conta as circunstâncias e as prioridades de cada trabalhador.
A comunicação é outro dos grandes desafios: as empresas podem investir em benefícios e até estendê-los aos familiares dos seus trabalhadores, mas esse esforço perde parte do valor se o quadro de pessoal desconhecer as prestações disponíveis e os seus vantagens fiscais. Por isso, a Coverflex destaca a importância de melhorar a comunicação e a coordenação entre empresas, seguradoras e plataformas de compensação, de modo a que os benefícios sejam conhecidos, compreendidos e valorizados.
Porque importa
Os dados mostram um desalinhamento entre o que os trabalhadores exigem — sobretudo no acesso à saúde — e o que as empresas oferecem, um gap que pode pesar na atratividade e na retenção de talento. Com quatro gerações a coexistir no mercado de trabalho, as políticas de compensação tendem a ter de ser cada vez mais personalizadas e melhor comunicadas. Para uma plataforma como a Coverflex, que opera neste segmento, o estudo reforça a centralidade da saúde nos pacotes de benefícios.