Políticas públicasAscendi8 de outubro de 2026

CEO da Ascendi defende prazos longos para novas PPP rodoviárias

Luís Silva Santos, CEO da Ascendi, contestou a visão da Autoridade da Mobilidade e Transportes, que defende concessões mais curtas. O gestor argumenta que prazos alinhados com o tempo de vida dos ativos são necessários para garantir a conservação das autoestradas.

O CEO da Ascendi, Luís Silva Santos, defendeu que as novas concessões rodoviárias em Portugal devem ter prazos suficientemente longos para assegurar o alinhamento de interesses entre o Estado e o concessionário. A intervenção decorreu na conferência "Financiamento da Rede Rodoviária", realizada no Auditório Ruy de Carvalho, em Oeiras, e teve por pano de fundo a chegada ao fim de várias concessões nos próximos anos, a partir de 2028, com a Autoestradas do Atlântico (A8 e A15) a abrir o debate.

A intervenção surge em resposta à Autoridade da Mobilidade e Transportes (AMT), que divulgou um estudo defendendo a manutenção do modelo de Parcerias Público-Privadas quando apropriado, mas com menor duração e maior foco em operação, manutenção e reabilitação. Luís Silva Santos contrariou essa leitura: se os prazos forem curtos, "o operador pode ser tentado a gerir o prazo curto e fazer o mínimo naquele período", afirmou, acrescentando que a conservação do ativo exige um período longo, alinhado com o tempo de vida do ativo, que deve ser de 20 ou 25 anos.

O tema dividiu ainda outros presentes na conferência. António Ramalho, presidente da Lusoponte, argumentou que as concessões devem ser mais longas e não mais curtas, enquanto o CEO da Brisa defendeu que os novos contratos vão exigir forte investimento em tecnologia para veículos autónomos, segurança, sustentabilidade e eletrificação — investimento que, na sua leitura, não se compatibiliza com prazos curtos. O presidente do IMT, José Jesus Caetano, alertou por sua vez que o Estado precisa de competências para gerir e negociar os contratos, sob pena de defender mal os interessos públicos.

Porque importa

O fim de várias concessões rodoviárias a partir de 2028 abre uma decisão estratégico-financeira sobre o modelo a adotar para a rede de autoestradas. A posição da Ascendi e de outras concessionárias condiciona diretamente as condições que poderão ser oferecidas em futuros contratos, com implicações em investimento, conservação dos ativos e níveis de portagem.

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