OutroRyanair21 de outubro de 2026

Ryanair avisa que tarifas aéreas vão subir entre 10% e 20% na Europa em 2027

Michael O'Leary, administrador-geral da Ryanair, afirmou que 2027 registará a maior subida de tarifas aéreas de sempre na Europa, com aumentos de 10% a 20%. A companhia aponta para o fim da proteção contratual ao preço do combustível e para cortes de lugares em várias rotas.

Ryanair anuncia a maior subida de tarifas aéreas da história na Europa em 2027

O administrador-geral da Ryanair, Michael O'Leary, anunciou que as tarifas aéreas vão subir entre 10% e 20% na Europa em 2027, prevendo «a maior subida de tarifas aéreas da história na Europa nos próximos 12 meses». As declarações foram feitas numa conferência de imprensa em Bruxelas, a 20 de outubro, e numa entrevista à Euronews, avançaram o Jornal de Negócios e o L'Indépendant.

A principal razão apontada é o preço do combustível. A Ryanair contratou a proteção do preço do petróleo ("hedging") a 67 dólares por barril, que cobria 80% das suas necessidades até março de 2027, mas essa proteção está a chegar ao fim, indicou o Jornal de Negócios. Segundo o Le Soir, a companhia encontra-se atualmente coberta apenas a 15%. O'Leary alertou que a companhia espera pagar o dobro no próximo ano e que parte do custo terá de ser transferida para o passageiro, sem ter confirmado se os bilhetes também vão duplicar.

A oferta de lugares vai também recuar. A Ryanair anunciou o corte de 20 rotas e de mais de um milhão de lugares no programa de inverno na Bélgica, restando apenas uma ligação a partir de Bruxelas, para Dublin, e 75 rotas a partir de Charleroi, segundo o Le Soir. O mesmo jornal indica que poderão ser cortados mais um milhão de lugares na época de verão de 2027, enquanto o L'Indépendant refere cortes de lugares na Bélgica, França e Alemanha. De acordo com a mesma fonte, a procura mantém-se forte apesar da redução de voos.

O L'Indépendant recorda ainda que o preço do querosene subiu de cerca de 750 dólares por tonelada antes do conflito no Médio Oriente para uma média de 1.550 dólares em setembro, segundo dados da Federação Nacional da Aviação e das suas Profissões (FNAM), e que o combustível representa habitualmente cerca de um terço dos custos de exploração. O mesmo jornal refere que as tarifas já subiram mais de 10% em França desde setembro, com aumentos de mais de 12% nas ligações internacionais.

O'Leary apontou ainda críticas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pediu que se tributem as companhias aéreas de fora da União Europeia, ao mesmo tempo que considera que a subida das taxas aéreas europeias — como a taxa de embarque belga, que passará de 10 para 7 euros mas continuará a aumentar face aos anos anteriores — pesa nas tarifas, referiu o Le Soir. Segundo a mesma fonte, o diretor da Ryanair prevê que os preços em Portugal aumentem de forma acentuada com a entrada do TAP no Grupo Lufthansa.

Porque importa

A previsão de aumentos de 10% a 20% atinge um setor construído em torno de tarifas baixas e pode encarecer as viagens de milhares de passageiros europeus já em 2027. Os cortes de oferta de lugares, somados ao fim da proteção ao preço do combustível, sugerem que o impacto não se limitará à Ryanair e poderá estender-se a outras companhias do setor.

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