Revolut assume custos de troca de documentos para clientes afetados por fuga de dados
A Revolut vai pagar as despesas de troca de documentos de identificação aos clientes afetados por um ataque em que a fintech entregou dados pessoais a hackers. A administração da empresa afirma que os seus próprios sistemas não foram comprometidos.
A Revolut vai custear a alteração dos documentos de identificação dos clientes afetados por um ataque de dados, afirmou nesta terça-feira Béatrice Cossa-Dumurgier, diretora-geral da fintech para a Europa Ocidental, à agência RTÉ.
A empresa, descrita como a startup mais valiosa da Europa, explicou que enviou dados pessoais de clientes para hackers que tinham tomado controlo de um endereço de correio eletrónico de uma agência governamental italiana. O incidente foi divulgado pela primeira vez em setembro.
De acordo com a RTÉ, a Revolut prestou assistência a 680 clientes afetados em todo o mundo: 55 estavam em França e 12 são clientes irlandeses. Perguntada se tinha pago resgates, Cossa-Dumurgier respondeu que a empresa não paga resgates a hackers, tendo a Revolut indicado anteriormente que não recebeu qualquer pedido de resgate.
Cossa-Dumurgier afirmou ainda que os organismos públicos são, por vezes, "a parte mais fraca" do sistema e que os sistemas da própria Revolut não foram comprometidos. Uma fonte da empresa recusou comentar as declarações do ministro do Interior italiano.
O ministro Matteo Piantedosi disse a deputados, a 30 de setembro, que o endereço para o qual a Revolut enviou os dados pertencia ao sistema de correio eletrónico da polícia de Reggio Calabria, mas se tratava de um endereço que nunca tinha sido usado. O ministro acrescentou que a Revolut poderia e deveria ter verificado o pedido, através de uma diligência mínima.
As instituições financeiras são obrigadas a enviar dados de clientes às autoridades quando solicitadas no âmbito de investigações a possíveis crimes.
Porque importa
O caso coloca em causa a forma como as fintech verificam pedidos de dados vindos de entidades públicas, num contexto em que as instituições financeiras estão legalmente obrigadas a cooperar com investigações criminais. A resposta da Revolut — assumir os custos dos clientes e recusar pagamentos de resgates — define um precedente para a gestão deste tipo de incidentes no setor. Para os 680 clientes afetados, entre os quais 12 irlandeses, a troca de documentos de identificação deixa de ser uma despesa adicional.