Presidente da ASF defende sistema nacional de proteção de catástrofes e identifica quatro grandes riscos

Gabriel Bernardino, presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), voltou a defender a criação de um sistema nacional de proteção contra tempestades e destacou quatro grandes transformações que aumentam a incerteza no setor. As declarações foram proferidas na Money Conference, uma iniciativa do Diário de Notícias e do Dinheiro Vivo.

Gabriel Bernardino, presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), apelou à criação de um sistema nacional de proteção de tempestades como forma de enfrentar as catástrofes cada vez mais frequentes, um dos quatro grandes riscos que o setor segurador está a encarar. O responsável interveio na Money Conference, uma iniciativa do Diário de Notícias e do Dinheiro Vivo.

A proposta, apresentada em março ao Governo na sequência dos efeitos do chamado "comboio das tempestades", visa combater a crescente vulnerabilidade do país aos efeitos das alterações climáticas e a intempéries cada vez maiores, como incêndios rurais ou novas tempestades. "Nenhum país consegue enfrentar sozinho catástrofes de grande dimensão" recorrendo ao mercado segurador ou apenas aos fundos públicos, afirmou, defendendo uma abordagem integrada com base na prevenção, mitigação, transferência de risco e mecanismos de solidariedade.

Os restantes três riscos elencados são os riscos geopolíticos e financeiros, o desenvolvimento tecnológico associado à inteligência artificial e as questões demográficas. Gabriel Bernardino sublinhou que a sua principal preocupação não são os riscos isolados, mas a "crescente convergência entre fontes de risco que tradicionalmente eram analisadas separadamente", defendendo que o desafio dos supervisores passa por compreender os mecanismos de transmissão e amplificação dos choques.

No caso da inteligência artificial, o presidente da ASF destacou os benefícios para a melhoria da experiência dos clientes, a eficiência, a deteção de fraude e o reforço da cibersegurança, mas avisou para questões ligadas à qualidade dos dados, aos enviesamentos algorítmicos, à explicabilidade das decisões e à privacidade. Quanto à demografia, afirmou que a maior longevidade vai obrigar o setor a "transformar profundamente" a forma como pensa a proteção financeira, num país que está "envelhecido", com desafios a nível das pensões, da saúde, dos cuidados continuados e da poupança de longo prazo.

Porque importa

A defesa de um sistema nacional de proteção de catástrofes coloca em agenda uma ferramenta que o presidente da ASF considera essencial para aumentar os níveis de proteção da população, reduzir a lacuna de cobertura existente e reforçar a capacidade de recuperação do país. A identificação de quatro riscos interligados mostra que a indústria de seguros confronta-se com uma incerteza crescente que exige novas respostas por parte de reguladores e instituições financeiras.

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