McKinsey: 94% das empresas ainda não conseguem lucrar com a IA
Um relatório da McKinsey & Company revela que apenas 6% das empresas atribuem à inteligência artificial pelo menos 5% do seu lucro operacional. Para a consultoria, a diferença entre quem lucra e quem não lucra está no redesenho dos modelos operacionais e não na escolha da tecnologia.
Apenas 6% das empresas atribuem à inteligência artificial (IA) pelo menos 5% do seu lucro operacional, segundo um relatório da McKinsey & Company. As restantes 94% investem em tecnologia e implementam ferramentas, mas ainda não conseguem transformar esse investimento num resultado financeiro concreto no balanço, aponta o estudo.
O relatório, intitulado "A vantagem do modelo operacional: porque é que os vencedores da IA estão a reconfigurar as suas organizações", sustenta que a diferença entre quem lucra com a IA e quem não lucra se explica menos pela escolha da tecnologia e mais pela disposição para repensar o funcionamento do próprio negócio.
O problema não é a ferramenta, é o processo ao redor dela
Segundo a McKinsey, a grande maioria das empresas utiliza a IA para acelerar tarefas que já existiam, mantendo o mesmo fluxo de trabalho, a mesma estrutura decisória e os mesmos gargalos organizacionais.
A consultoria ilustra a questão com um exemplo: uma empresa que implementa IA para analisar pedidos de reembolso vê o tempo de análise individual cair de 20 para 5 minutos, mas o pedido continua a precisar de passar por três níveis de aprovação, a circular entre departamentos por correio eletrónico e a aguardar dias até chegar às finanças. A IA acelerou uma etapa, mas o processo no seu conjunto permanece lento.
O que os 6% fazem de diferente
As empresas que conseguem capturar valor real com IA partilham uma característica: redesenham os seus modelos operacionais antes de escalar a tecnologia, em vez de se limitarem a automatizar tarefas pontuais. Trata-se de repensar como o trabalho é feito, que etapas podem ser eliminadas, que decisões podem ser delegadas a sistemas inteligentes e como a estrutura organizacional se deve adaptar.
O relatório da McKinsey é direto neste ponto: "A verdadeira vantagem da IA vem de redesenhar a forma como o trabalho é feito e como as decisões são tomadas. O sucesso dependerá de pessoas e de modelos operacionais apoiados pela tecnologia."
Na prática, estas empresas promovem o que a consultoria chama de redesenho amplo e contínuo, ou seja, uma transformação permanente em que cada processo é reavaliado à luz das capacidades oferecidas pela IA. A tecnologia deixa de ser uma camada adicional e passa a ser o eixo ao redor do qual a operação se organiza.
Um paralelo com outras ondas tecnológicas
A dinâmica não é inédita. Quando a internet comercial se popularizou nos anos 2000, a maioria das empresas limitou-se a digitalizar processos analógicos, criando sítios institucionais que eram versões digitais de folhetos impressos. As que realmente capturaram valor foram as que repensaram os seus modelos de negócio a partir das possibilidades da rede.
Com a IA, o padrão repete-se, mas com uma diferença: a velocidade da mudança é maior. Ferramentas como o ChatGPT e o Claude tornaram a IA acessível a empresas de qualquer dimensão em questão de meses, não de anos, o que significa que a janela para capturar vantagem competitiva também é mais curta.
Agentes de IA como caminho prático
Uma das abordagens que ganha tração entre empresas que procuram sair do grupo dos 94% é a criação de agentes de IA personalizados. Em vez de dependerem apenas de ferramentas genéricas, estas organizações desenvolvem agentes capazes de executar tarefas específicas, adaptadas aos seus fluxos de trabalho, integrados nos sistemas existentes e aptos a tomar microdecisões que antes dependiam de intervenção humana.
Esta abordagem exige investimento em capacitação interna: o gargalo para a maioria das empresas não é o acesso à tecnologia, mas a falta de profissionais capazes de ligar as possibilidades técnicas às necessidades operacionais reais.