Solvay: lucro cai 39% até setembro para 172 milhões de euros
O grupo químico belga Solvay viu o lucro descer 39% nos primeiros nove meses do ano, para 172 milhões de euros, com o volume de negócios a recuar 6,4%. A empresa aponta para a guerra no Médio Oriente e para o encerramento temporário de uma fábrica na Arábia Saudita como principais fatores do desempenho.
O grupo químico belga Solvay registou um lucro de 172 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, uma queda de 39%, devido à guerra no Médio Oriente, que obrigou a empresa a encerrar uma fábrica na Arábia Saudita, segundo noticiou a Notícias ao Minuto.
O volume de negócios entre janeiro e setembro diminuiu 6,4%, para 3.059 milhões de euros, face aos 3.267 milhões de euros do período homólogo, com quedas em todos os segmentos, tanto nos produtos químicos básicos como nos de alto rendimento. O EBITDA acumulado até setembro contraiu-se 18,7%, para 579 milhões de euros.
No terceiro trimestre, o lucro líquido desceu 61,7%, para 34 milhões de euros, afectado pela queda de 7,1% nas vendas de produtos químicos básicos — carbonato de sódio e peróxidos —, que não foi compensada pelo aumento de 5,1% nas receitas de produtos químicos de alto desempenho. O EBITDA do período entre julho e setembro caiu 25,3%, passando de 232 milhões de euros no trimestre homólogo para 173 milhões.
O presidente executivo da Solvay, Philippe Kehren, afirmou que a empresa "continua a navegar num ambiente económico complicado" e destacou o impacto "significativo" da guerra no Médio Oriente, sobretudo pelo encerramento temporário, desde março, da fábrica de peróxido de hidrogénio de Jubail, na Arábia Saudita, que terá custado cerca de 15 milhões de euros em cada um dos dois últimos trimestres. A Solvay é proprietária dessa unidade em conjunto com a Sadara, detida pela Saudi Aramco, e assegura que continua "focada em levar a cabo a sua transformação, gerindo e reforçando o seu portfólio". A empresa explora ainda "todas as possibilidades para mitigar o impacto financeiro" do encerramento, apontando para mecanismos contratuais previstos no acordo com a Sadara para recuperar a rentabilidade perdida.
Porque importa
Os resultados mostram que os choques geopolíticos estão a ter efeitos concretos na rentabilidade de um dos grandes grupos químicos europeus, com quedas em todos os segmentos de atividade. A dependência de uma única unidade na Arábia Saudita e a resposta contratual com a Sadara serão determinantes para a evolução financeira da empresa nos próximos trimestres.