OutroChartbeat5 de novembro de 2026

Pesquisa do Google cai 40% num ano como fonte de tráfego dos publishers

O tráfego dos publishers proveniente do Google Search recuou 40,2% entre julho de 2025 e julho de 2026, segundo dados da ferramenta de análise Chartbeat. Em contrapartida, os canais sobre os quais as redações têm maior controlo — tráfego interno, direto e partilha privada — continuam a crescer.

O tráfego dos publishers que teve origem no Google Search caiu 40,2% num ano, numa comparação entre julho de 2025 e julho de 2026, segundo dados da ferramenta de análise Chartbeat. No mesmo período, as pageviews provenientes do Google Discover recuaram 34,3%. No ano anterior, as quebras tinham sido de 21,9% e de 6,6%, respetivamente.

Apesar da quebra na pesquisa, o volume total de pageviews caiu apenas ligeiramente. Entre janeiro e julho de 2026, os publishers da rede Chartbeat registaram uma média mensal de 31,1 mil milhões de pageviews, face aos cerca de 32 mil milhões de 2025. A empresa considera que se trata de "uma diferença insignificante", sobretudo tendo em conta acontecimentos de impacto global ainda por chegar, como as eleições intercalares nos Estados Unidos, em novembro.

Canais próprios a crescer

O tráfego interno mantém-se como principal fonte de pageviews, com 40,4%, seguido do tráfego direto, com 15,9%. O Google Search, que representava cerca de 9% da quota de visualizações em julho de 2024, desceu para 5% em julho de 2026 — uma queda relativa de quase 46% em dois anos. O Google Discover recuou 28,4% no mesmo período.

Em sentido contrário, crescem os três canais "sobre os quais os publishers têm maior controlo": a partilha privada (dark social) passou de 7,1% para 11,3% das pageviews, o tráfego direto de 13,5% para 15,9% e o tráfego interno de 37,9% para 40,4%. "A mudança nestes dados não é apenas o facto de a pesquisa ter diminuído e outros canais terem subido. É uma mudança no próprio tipo de tráfego que está a crescer", sublinha a Chartbeat.

IA ainda residual

O tráfego vindo de ferramentas de inteligência artificial cresceu oito vezes em dois anos, mas continua residual, representando 0,01% do total, segundo a Chartbeat. Esse tráfego está a diminuir este ano no ChatGPT, Claude, Perplexity, Microsoft Copilot e Gemini.

A empresa avisa que o risco não é igual para todos os conteúdos: "O conteúdo genérico e facilmente resumido é o mais exposto a ser respondido diretamente dentro de uma interface de chat sem gerar um clique, enquanto a reportagem original e a especialização diferenciada são mais difíceis de substituir totalmente."

Leitores mais tempo em casa

No primeiro semestre de 2026, os leitores passaram em média 24,3 segundos em cada página, abaixo dos 25,5 segundos de 2025 e dos 26,7 segundos de 2024. Os sites com menor volume — entre mil e 10 mil pageviews diárias — foram os mais afetados, ao passarem de 27,4 para 17,1 segundos, enquanto os grandes desceram de 27,2 para 24,3.

Os leitores fiéis ganham peso neste cenário. As pageviews mensais geradas por este grupo mantiveram-se praticamente estáveis entre 2024 e 2026, com uma ligeira subida de 14,98 mil milhões para 15,02 mil milhões, enquanto as dos leitores recorrentes caíram 8% e as dos novos leitores 14%. Cada leitor fiel gerou, em média, cerca de 93 pageviews em julho de 2026, mais 11% do que há dois anos.

No mês mais recente do estudo, o tráfego interno representou cerca de 51% das pageviews dos leitores fiéis e o tráfego direto 24%, enquanto o Google Search e o Google Discover somaram apenas 7%.

Porque importa

A dependência da pesquisa do Google como porta de entrada está a enfraquecer de forma consistente, o que obriga os publishers a repensar como captam e retêm audiência. Os dados sugerem que a fidelização e os canais próprios passam a pesar mais do que a descoberta. Para a Chartbeat, os que prosperaram nas transições anteriores — da rádio para a televisão e da televisão para a internet — não foram os que encontraram primeiro o próximo canal, mas os que já tinham construído uma audiência.

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