OutroInfraestruturas De Portugal24 de setembro de 2026

Lucro da Infraestruturas de Portugal cai 44% para 43,8 milhões de euros no primeiro semestre

A Infraestruturas de Portugal registou um lucro consolidado de 43,8 milhões de euros no primeiro semestre, menos 44% em termos homólogos, penalizada pelo aumento dos gastos operacionais ligados à reposição das redes após as intempéries. O EBITDA recuou 15% e o resultado operacional caiu 28,6%, segundo informação divulgada à CMVM.

A Infraestruturas de Portugal (IP) apresentou um lucro consolidado de 43,8 milhões de euros no primeiro semestre, uma queda de 44% face ao período homólogo, de acordo com a informação divulgada hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), noticiou a RTP. O Jornal de Negócios refere que o resultado líquido desceu dos 78,5 milhões de euros registados no ano anterior, num período em que o grupo se dedicou às reparações decorrentes do impacto das tempestades que atingiram o país no início do ano.

Segundo a RTP, o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) recuou 15%, para 227,3 milhões de euros, e o resultado operacional caiu 28,6%, para 113,7 milhões. A empresa aponta, entre outros fatores, para uma redução de 17,7 milhões de euros nos rendimentos associados à Consignação do Serviço Rodoviário (CSR) e para um aumento de 41,5 milhões de euros nos gastos operacionais. O Jornal de Negócios detalha que a despesa subiu para 592,6 milhões de euros, com a conservação rodoferroviária a somar mais 7,4 milhões e os contratos de construção rodoviários mais 8,6 milhões, no que foi "parcialmente compensado" pelos rendimentos de portagens (+9,0 milhões). O volume de negócios cresceu 1% no semestre, para 665,8 milhões de euros, segundo a RTP.

A IP destaca a atuação durante as intempéries: foram registadas mais de 4.200 ocorrências nas redes rodoviária e ferroviária, com mobilização de cerca de 2.000 operacionais e até cerca de 200 intervenções diárias, referem as duas fontes. Só na rede rodoviária foram identificadas 3.441 ocorrências, com um investimento estimado em 380 milhões de euros para reparar os danos, incluindo despesas complementares. Na ferrovia, as condições meteorológicas adversas provocaram supressões de comboios e encerramentos temporários de troços, com uma redução estimada superior a 650 mil comboios-quilómetro e um impacto de cerca de 1,7 milhões de euros nas receitas.

O investimento cresceu 11% no semestre, para 281 milhões de euros, segundo a RTP, com a componente rodoviária a subir 13%, para 76,1 milhões, e a ferrovia a recuar 6%, para 171,5 milhões. O Jornal de Negócios explica o recuo ferroviário pela conclusão dos investimentos do Programa Ferrovia 2020 e pela transição para os projetos do PNI 2030, mantendo a ferrovia cerca de 61% do investimento total do grupo. O projeto de cabos submarinos Atlantic CAM representou 27,9 milhões de euros de investimento no período.

No final de junho, a dívida financeira da IP totalizava 3.130 milhões de euros, menos 85,4 milhões, redução que a empresa atribui exclusivamente às amortizações de capital previstas dos empréstimos contraídos junto do BEI, segundo a RTP. O Jornal de Negócios refere ainda que as operações de aumento de capital do acionista na empresa-mãe somaram 527,8 milhões de euros no semestre, elevando o capital social realizado para 15.938,3 milhões de euros.

Porque importa

Os resultados mostram o peso das intempéries do início do ano nas contas da concessionária pública, num semestre em que o investimento nas redes continuou a crescer. A dimensão estimada dos danos — 380 milhões de euros só na rede rodoviária — e o impacto na ferrovia indicam que a reposição da infraestrutura continuará a pressionar os gastos operacionais da empresa.

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