Juan Roig diz a fornecedores da Mercadona: «Se não ganha dinheiro, não nos venda»
O presidente da Mercadona defendeu, no Congresso AECOC de 22 de outubro de 2025, em Valência, que os fornecedores têm de obter benefícios com as vendas à cadeia. Juan Roig apontou para erros de ambos os lados, desde o preço pago pela retalhista aos cálculos do fabricante.
O presidente da Mercadona, Juan Roig, dirigiu-se às empresas que abastecem os seus supermercados com uma condição: a relação comercial tem de deixar benefícios. «Se não ganha dinheiro, não nos venda», afirmou durante o Congresso AECOC de 22 de outubro de 2025, em Valência, segundo recolheu a Europa Press.
A intervenção, intitulada «O orgulho de ser empresário», teve lugar no Roig Arena, diante de empresários do consumo. Juan Roig afirmou que os 2.000 fornecedores da cadeia ganham dinheiro e defendeu que o seu esforço deve resultar em rentabilidade, exigindo-lhes, em simultâneo, melhoria da qualidade.
O que pode falhar na relação
Ao explicar o que pode correr, o dirigente incluiu a hipótese de a Mercadona não estar a pagar bem, mas também a de o fabricante não saber produzir o produto, ter feito mal as contas ou fixado um preço de venda demasiado baixo, como recolheu o Cinco Días. A enumeração liga a obtenção de benefícios a decisões de ambas as partes.
A exigência económica coexistiu com um pedido de qualidade: Roig reconheceu referências que ainda precisam de melhorar e disse querer reduzir as queixas dos compradores. O presidente defendeu ainda um catálogo que dê ao cliente a possibilidade de acertar na compra, transferindo para a cadeia a tarefa de prescrever e para o fabricante a responsabilidade de responder às condições do produto escolhido.
Quatro anos para recuperar um investimento
Ao apresentar resultados a 10 de março de 2026, Juan Roig explicou que os fornecedores exigem garantias a longo prazo: precisam de quatro anos para rentabilizar um investimento e pretendem continuar depois, segundo recolheu o FRS. O mesmo material indica que os fornecedores destinaram 1.700 milhões de euros em 2025, mais 31% do que no ano anterior, a novas fábricas, ampliações e tecnificação de explorações agrícolas e ganadeiras, criando também mais de 5.200 novos postos de trabalho naquele ano.
A memória anual de 2025 refere contratos indefinidos sujeitos ao cumprimento das condições pactuadas e um portal informático, o Portal Trinidad, para comunicação e execução de tarefas rotineiras entre a cadeia e os fornecedores. O mesmo documento situa as compras a fornecedores de Espanha e Portugal em 31.700 milhões de euros em 2025 — 30.200 milhões em Espanha e 1.500 milhões em Portugal.
Porque importa
A posição de Juan Roig coloca a rentabilidade dos fornecedores no centro da relação com a Mercadona, numa cadeia que representa milhares de milhões de euros em compras anuais. Para as empresas que querem fornecer a retalhista, a mensagem é que o preço negociado e a eficiência produtiva condicionam a continuidade do negócio.