Insolvências em Portugal estabilizam em 2026 e Allianz Trade prevê subida de 2% em 2027
A Allianz Trade prevê que Portugal termine 2026 com cerca de 2.250 insolvências empresariais, valor praticamente estável face ao ano anterior, e aponta para 2.300 casos em 2027, um aumento de 2%. A construção e os serviços concentram a maioria dos processos, e as microempresas continuam a ser as mais afetadas.
Portugal deverá terminar 2026 com cerca de 2.250 insolvências empresariais, um valor praticamente estável face ao ano anterior, segundo uma análise da Allianz Trade publicada a 27 de outubro. Para 2027, a seguradora prevé uma subida moderada, para 2.300 casos, o equivalente a um aumento de 2%.
Nos primeiros nove meses do ano foram registados 1.632 processos, com uma melhoria no terceiro trimestre. Depois de aumentos em março (+22,2%), abril (+21%) e junho (+17,8%), as insolvências diminuíram em julho (-4,0%), agosto (-27,6%) e setembro (-13,8%). O estudo realça que a descida recente é um sinal positivo, mas ainda não permite confirmar uma recuperação sustentada.
No detalhe setorial, os serviços e a construção concentraram 45,2% das insolvências nacionais. Os serviços registaram uma redução de 4,2%, enquanto a construção aumentou 11,5%, para 319 processos. Já no retalho as insolvências recuaram 15,2%, no setor agroalimentar 10,6% e nos têxteis 8,4%. Lisboa foi o distrito com mais processos (476, ou 29,2% do total), seguido do Porto (389, menos 14,3%), enquanto Aveiro aumentou 16,1%.
As microempresas representaram 67,5% dos processos, num total de 1.101 insolvências. A Allianz Trade chama também a atenção para os aumentos nas pequenas empresas (+7,9%) e nas médias empresas (+10,7%), pelo potencial impacto nas cadeias de fornecimento e no crédito.
A nível mundial, a seguradora prevê que as insolvências aumentem 5% em 2026 e 1% em 2027, depois de uma subida de 6% em 2025, com o ponto de viragem adiado para 2028, ano em que se estima uma ligeira descida de 1%. Entre os fatores que sustentam esta tendência estão o crescimento económico abaixo do esperado, os custos energéticos elevados e taxas de juro que deverão permanecer altas durante mais tempo.
Porque importa
A estabilização das insolvências em 2026 não elimina os riscos: a Allianz Trade aponta para pressões continuadas sobre os custos de financiamento e dos fatores de produção, que devem traduzir-se numa subida de 2% em 2027. O peso das microempresas e a subida de processos na construção merecem atenção, sobretudo pelo possível impacto nas cadeias de fornecimento e no crédito concedido às empresas.