ENGIE fecha acordo com indústria brasileira para usar energia de sete usinas solares no Rio Grande do Norte
A fabricante de MDF Placas do Brasil vai ter 40% de participação numa holding associada a sete usinas solares da Engie no Rio Grande do Norte, num negócio que envolve 340,5 MW de potência instalada. A operação projeta uma poupança de 10 milhões de reais por ano na conta de luz da fábrica, localizada no Espírito Santo.
A Engie firmou um acordo com a indústria brasileira de painéis de madeira Placas do Brasil que prevê o aproveitamento de energia de sete usinas solares no Rio Grande do Norte. O negócio abrange 340,5 megawatts de potência instalada e projeta uma economia de 10 milhões de reais por ano com eletricidade, segundo a consultoria US Capital, que orquestrou a operação.
Pelo acordo, a fabricante de MDF terá 40% de participação numa holding associada às usinas do complexo Assú Sol, no município de Assú, na região do Vale do Açu. A energia será destinada ao consumo da fábrica de Placas do Brasil, em Pinheiros, no norte do Espírito Santo, através do modelo de autoprodução, que permite a grandes consumidores participar em projetos de geração.
Os ativos envolvidos são as unidades Assú Sol 4, 6, 10, 11, 13, 14 e 15. Segundo a US Capital, esse conjunto tem previsão de produzir cerca de 101 MW médios no cenário P90, utilizado no planeamento de geração sob premissas conservadoras. O preço pago pela participação societária não foi divulgado.
Redução projetada corresponde a cerca de 16,7% do orçamento elétrico
A Placas do Brasil tem um orçamento anual de energia elétrica de aproximadamente 60 milhões de reais. Caso a economia projetada se confirme, a redução equivalerá a cerca de 16,7% desse valor, de acordo com a estimativa apresentada pela US Capital.
A operação prevê a constituição de uma holding que reunirá os sete ativos. A Placas do Brasil destinará a energia correspondente às suas próprias operações industriais, em vez de atuar como comercializadora no mercado elétrico. Como a empresa já possuía contratos de fornecimento em vigor quando a negociação começou, a consultoria adotou uma estrutura de swap energético para compatibilizar os compromissos anteriores com a nova autoprodução.
O projeto começou a ser estruturado em dezembro de 2025 e envolveu negociações comerciais, modelação energética e ajustes societários e jurídicos. A operação foi organizada durante a transição regulatória da Lei nº 15.269, de novembro de 2025, que atualizou as regras da autoprodução por equiparação no Brasil. A transação foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Económica e identificada pelo Ato de Concentração nº 08700.008855/2026-41.
Engie investiu 3,3 mil milhões de reais no Assú Sol
O Assú Sol completo reúne 16 parques e aproximadamente 753 MW de capacidade instalada, tendo entrado em operação comercial integral a 23 de fevereiro de 2026, segundo a Engie. Construído com um investimento de cerca de 3,3 mil milhões de reais, o empreendimento ocupa 2.344 hectares e reúne mais de 1,5 milhões de módulos solares.
A implantação levou cerca de 30 meses e gerou mais de 4.500 empregos diretos durante as obras, informou a empresa. O conjunto é o maior projeto solar em operação da Engie em todo o mundo.
Porque importa
O acordo mostra como grandes consumidores industriais no Brasil recorrem a participação em ativos de geração renovável para reduzir a exposição a um dos custos mais pesados da produção. Para a Engie, reforça a comercialização de energia de ativos solares já construídos a partir do mercado doméstico brasileiro, num contexto em que a energia pesa diretamente nos custos das fábricas.