Concessões portuárias: o trabalho começa depois da assinatura
A administradora do Grupo Ete, Andreia Ventura, participou na sessão sobre gestão e monitorização de concessões portuárias da CIDIS 2026, realizada em Lisboa a 19 e 20 de outubro. Em causa estiveram a previsibilidade do investimento, a flexibilidade dos contratos de longo prazo e a relação entre concedente e concessionário.
O Grupo Ete foi uma das empresas ouvidas na sessão sobre gestão e monitorização de concessões portuárias da CIDIS 2026, conferência realizada em Lisboa nos dias 19 e 20 de outubro. Ao lado de Andreia Ventura, administradora do Grupo Ete, participaram Tiago Fernandes, da Administração dos Portos de Setúbal e de Sesimbra (APSS), e Cátia Fernandes, da Africa Global Logistics (AGL), que apresentou a experiência do terminal polivalente do Lobito.
No lado do operador, Andreia Ventura colocou a previsibilidade no centro da decisão de investir: o concessionário precisa de conhecer as suas obrigações, os riscos que assume e o horizonte disponível para amortizar o investimento e remunerar o capital. A administradora defendeu ainda margem para adaptar o contrato à evolução da procura, da tecnologia e das exigências sobre a operação, com mecanismos de revisão e contrapartidas claros desde a preparação do concurso. "Ter interesse numa concessão não é apenas uma manifestação, é um compromisso", afirmou.
A intervenção do Grupo Ete recuperou também o projeto de transporte fluvial de contentores para a Castanheira do Ribatejo, apresentado como alternativa complementar ao escoamento de carga de Lisboa. As três apresentações convergiram na importância de obrigações verificáveis, informação fiável, interlocutores identificados e mecanismos para resolver problemas antes de comprometerem o investimento ou o serviço. No Porto de Setúbal, Tiago Fernandes sintetizou a posição da autoridade portuária em três objetivos — servir o mercado, proteger o ativo e defender o interesse público —, enquanto a AGL apresentou resultados do Lobito, concessão em vigor desde 4 de março de 2024 por um prazo de 20 anos, que entre janeiro e agosto de 2026 movimentou 40 mil TEU, face a 29 mil em 2025.
Porque importa
As concessões portuárias assinadas para durar décadas dependem de acompanhamento contínuo e de contratos preparados para se adaptar a mercados e cadeias de abastecimento que mudam depressa. Para operadores como o Grupo Ete, a capacidade de prever obrigações, revisar condições e resolver constrangimentos com o concedente determina a continuidade do investimento e o serviço prestado à cadeia logística.