OutroGrupo Mota Engil2 de outubro de 2026

Mota-Engil no centro da influência chinesa no Corredor do Lobito, segundo análise da CEDESA

O Centro de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social de África (CEDESA) destaca o papel determinante da Mota-Engil no Corredor do Lobito, sublinhando a influência chinesa na empresa. A organização classifica a situação de 'Paradoxo Chinês', já que o projeto visa reduzir a dependência ocidental dos minerais controlados por Pequim.

O Centro de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social de África (CEDESA) dedicou um artigo à influência da China no Corredor do Lobito, o mega projeto ferroviário que liga o Atlântico ao interior mineiro de África e facilita a exportação de minerais como cobre e cobalto. No texto, a organização que estuda temas políticos e económicos da África Austral, em especial de Angola, fala num "Paradoxo Chinês".

Segundo a análise, "a China controla, através da Mota-Engil, uma parte essencial da infraestrutura que o Ocidente pretende usar para reduzir a dependência da China". O projeto do Corredor do Lobito junta Estados Unidos, União Europeia e governos de Angola e República Democrática do Congo e procura oferecer uma alternativa logística ao predomínio chinês na exportação de minerais estratégicos da RDCongo e, em menor escala, de Angola.

A CEDESA aponta como principal razão do posicionamento chinês a centralidade da Mota-Engil no projeto, que se tornou um relevante operador ferroviário, um dos maiores adjudicatários de obras complementares e um ator com presença simultânea em Angola e na RDCongo. Nos últimos anos, a empresa assegurou contratos para a reabilitação de troços ferroviários, modernização de estações, construção de pontes e obras de engenharia pesada associadas ao corredor. A análise nota que a Mota-Engil é hoje uma empresa com influência chinesa determinante, com cerca de um terço das ações e posição chinesa na administração, embora continue formalmente portuguesa.

A segunda razão indicada é que uma parte substancial das minas que alimentarão o corredor pertence a empresas chinesas: a China controla, segundo a CEDESA, entre 70% e 80% da produção industrial de cobre e cobalto da RDCongo, através de participações maioritárias em 15 das maiores minas congolesas. Para o autor do artigo, "alterar a rota não altera a propriedade", pelo que o corredor apenas facilita a exportação de recursos controlados por Pequim através de uma infraestrutura promovida pelo Ocidente.

A China beneficia ainda porque o Corredor do Lobito reduz os seus custos de transporte, ao disponibilizar uma rota mais curta, mais estável e menos congestionada para o Atlântico, e diversifica as vias de exportação para mercados ocidentais e asiáticos.

Porque importa

A análise da CEDESA coloca em questão a utilidade estratégica do Corredor do Lobito para o Ocidente, ao sugerir que a infraestrutura pode acabar por servir interesses chineses. Para a Mota-Engil, o projeto reforça a sua posição como operador central em África, mas também a atenção sobre a influência dos seus acionistas chineses na tomada de decisões.

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