Cegid aposta na inteligência artificial e no mercado português como polos de crescimento
Em entrevista à Forbes Portugal, o Diretor-Geral da Cegid para Portugal, Espanha, América Latina e África, Javier Torres, afirma que a prioridade passa por escalar a inteligência artificial na gestão quotidiana das empresas. A empresa aponta também a cloud e a integração da PHC como motores da sua estratégia no país.
A Cegid, empresa especializada em soluções de gestão empresarial na cloud, considera que "a questão já não é saber se devemos utilizar IA, mas como a podemos escalar com impacto". A declaração consta de uma entrevista à Forbes Portugal realizada com Javier Torres, Diretor-Geral da Cegid para Portugal, Espanha, América Latina e África.
Com presença em Portugal, a empresa acelera a transformação dos seus produtos num contexto em que o software deixa de ser apenas ferramenta de consulta e registo para assumir um papel mais ativo na gestão das organizações. Para Javier Torres, a missão "é fazer com que a IA passe a fazer parte da gestão quotidiana das empresas, sobretudo das PME", integrando-a nos processos de negócio para automatizar tarefas e melhorar a tomada de decisões.
No plano financeiro, a Cegid alcançou uma faturação de 85 milhões de euros em 2025 e definiu para 2026 o objetivo de crescer cerca de 10%. Alargando a perspetiva a Portugal e África, a faturação ultrapassa os 90 milhões de euros, o que corresponde a aproximadamente 40% do negócio da região de Iberia, América Latina e África. Portugal é o segundo maior mercado do grupo e uma porta de entrada nos países africanos de língua portuguesa.
A operação no país assenta numa rede de cerca de 700 empresas parceiras e mais de 5.500 profissionais especializados. Segundo a empresa, parte fundamental da tecnologia dos Cegid Pulse — agentes de inteligência artificial aplicados ao portefólio de produtos — foi desenvolvida em Portugal.
Duas prioridades: cloud e IA
Entre as prioridades para o mercado português, a Cegid destaca a adoção das suas soluções cloud de nova geração: cerca de 75% dos clientes já trabalham neste modelo, com a expectativa de que até ao final de 2027 praticamente toda a base instalada possa beneficiar dele. A segunda prioridade é a inteligência artificial, com investimento contínuo em talento e inovação.
A integração da PHC, concluída em 2026, somou-se à aquisição anterior da Primavera e permitiu à empresa reunir algumas das marcas mais reconhecidas do mercado português de software de gestão. Nos últimos quatro anos, a Cegid realizou mais de 30 aquisições e anunciou recentemente a fusão com a Silae, operação apresentada como um passo para construir um líder europeu de software empresarial.
O Cegid Partner Summit 2026, realizado no passado dia 15 de setembro, no Porto, reuniu mais de 700 parceiros e apresentou mais de 25 agentes inteligentes concebidos para ajudar as empresas a automatizar tarefas e aumentar a produtividade.
Porque importa
Os números apresentados situam Portugal como um mercado relevante dentro da Cegid, com uma rede alargada de parceiros e profissionais especializados. A aposta em cloud e inteligência artificial pode traduzir-se em novas exigências de competências digitais nas empresas clientes e no próprio ecossistema de parceiros.