Semapa reduz dívida líquida a 27 milhões de euros com venda da Secil; EBITDA cai 29%
A Semapa encerrou o primeiro semestre com a dívida financeira líquida reduzida para 27,0 milhões de euros, depois de concluir em março a venda da Secil ao grupo Cementos Molins. No mesmo período, o EBITDA consolidado recuou 29,4%, sobretudo por causa do desempenho da Navigator.
A Semapa entrou no segundo semestre de 2026 com um balanço substancialmente diferente do ano anterior: a dívida financeira líquida desceu para 27,0 milhões de euros a 30 de junho, face a 1.006,1 milhões no fim de 2025, e o rácio dívida líquida/EBITDA passou de 2,64 vezes para 0,09 vezes. O caixa consolidado situou-se em 1.066,0 milhões de euros no final de junho.
A mudança resulta de uma operação de carteira e não da atividade: a Semapa finalizou a 23 de março de 2026 a venda da totalidade da participação na Secil ao Cementos Molins, por um valor em dinheiro de 1.081 milhões de euros. O grupo manteve 51% da Société des Ciments de Gabès, para a qual as partes analisam opções estratégicas. A operação gerou uma mais-valia provisória de cerca de 516,2 milhões de euros, que a empresa indica não originou um encargo fiscal significativo.
Com a transação, o resultado líquido do grupo atingiu 570,1 milhões de euros, face a 89,5 milhões no ano anterior, com um lucro por ação de 7,138 euros. Excluindo as mais-valias, o resultado líquido teria sido de 53,9 milhões de euros, 35,6 milhões abaixo do período homólogo.
Desempenho operacional
Apendizando os perímetros vendidos, a receita consolidada recuou 8,7% para 979,1 milhões de euros e o EBIT passou de 126,9 milhões para 58,5 milhões, um declínio de 53,9%. O EBITDA consolidado situou-se em 156,8 milhões de euros, contra 221,9 milhões, com a margem a recuar de 20,7% para 16,0%.
A Navigator, que gerou 91% do EBITDA do grupo, viu a receita descer 14,8% para 868,6 milhões de euros e o EBITDA recuar 33,7% para 143,4 milhões, com a margem a cair de 21,2% para 16,5%. A empresa atribui a queda a perturbações industriais causadas por condições climáticas extremas em Portugal no início de 2026 e, depois, às paragens de manutenção planeadas do segundo trimestre. As vendas de pasta de papel passaram de 168.000 para 111.000 toneladas e as de tissue de 119.000 para 106.000 toneladas, com maior concorrência no Reino Unido, enquanto os volumes de embalagens cresceram 50%.
As restantes atividades duplicaram a receita (+108,0%, para 110,6 milhões de euros) com a integração da Imedexa, e o EBITDA aumentou 66,3%, para 11,4 milhões, embora a margem tenha recuado de 12,9% para 10,3%.
Subidas de preços e investimento
A Navigator implementou subidas de preços na Europa, na América Latina e nos Estados Unidos no papel, com o efeito positivo no preço médio esperado para o terceiro trimestre. Em junho, os preços médios do papel não revestido eram cerca de 10% superiores aos de dezembro. Em embalagens, foram anunciados aumentos de 5% a 10% a partir de abril e de pelo menos 30 euros por tonelada a partir de junho; em tissue, de 5% a 7% para expedições a partir de maio.
O grupo comprometeu cerca de 115 milhões de euros com uma nova máquina de tissue em Aveiro, com entrada ao serviço prevista para 2028. A 30 de junho, a Semapa registou 208,4 milhões de euros de investimentos no semestre e 50 milhões de euros de dividendos pagos. A divulgação dos resultados dos primeiros nove meses está marcada para 4 de novembro de 2026.
Porque importa
A venda da Secil alterou de forma estrutural o perfil financeiro da Semapa, praticamente a eliminar a dívida líquida e libertando caixa para futuras decisões de carteira ou investimento. Contudo, o recuo do EBITDA mostra que a melhoria do balanço não se traduziu, até agora, numa melhoria da rentabilidade operacional, dependente sobretudo da Navigator.