OutroBayer13 de outubro de 2026

Bayer aposta cerca de 2 mil milhões de dólares por ano em investigação agrícola para criar a próxima geração de produtos

A Bayer investe anualmente cerca de 2 mil milhões de dólares em investigação e desenvolvimento agrícola e trabalha para transformar esse orçamento numa nova geração de produtos capaz de sustentar o seu crescimento no setor até ao fim da década. A estratégia assenta em dez projetos classificados como blockbusters, previstos para chegar ao mercado entre 2025 e 2030.

A Bayer investe cerca de 2 mil milhões de dólares por ano em investigação e desenvolvimento agrícola e trabalha para converter esse orçamento numa nova geração de produtos que sustente o seu crescimento no agro até ao fim da década, segundo a revista Exame, em notícia publicada a 12 de outubro de 2026.

No centro da estratégia estão dez projetos que a própria empresa classifica como blockbusters, previstos para chegar ao mercado entre 2025 e 2030. Sete desses projetos estão ligados à biotecnologia e quatro dos projetos biotecnológicos deverão chegar ao Brasil. "Não há nenhuma empresa na agricultura com dez blockbusters", afirmou Michael Graham, responsável pela investigação da divisão Crop Science da Bayer, em entrevista à publicação.

Segundo Graham, o Brasil deixou de ser apenas um destino para tecnologias desenvolvidas no exterior e passou a ter peso na origem da inovação da Bayer, sendo o segundo maior mercado agrícola da companhia. O executivo refere, como exemplo, uma abordagem já aplicada comercialmente em escala no país que utiliza simulações e grandes volumes de dados para prever o desempenho de produtos antes de anos de testes convencionais no campo, com o objetivo de reduzir ciclos de desenvolvimento.

A inteligência artificial apoia parte dessa aceleração: segundo Graham, praticamente não há decisões relevantes na investigação agrícola da Bayer sem algum grau de apoio da tecnologia, e na área de melhoramento genético são cerca de 250 mil decisões por dia apoiadas por IA. Um ciclo de melhoramento que antes poderia levar cinco anos para completar uma geração pode, segundo o executivo, ser realizado em quatro meses com as novas ferramentas.

Uma das apostas citadas é o chamado milho de baixa estatura, concebido para produzir plantas mais resistentes ao vento e ao acamamento e com maior facilidade de aplicação de defensivos e fertilizantes. A tecnologia já chegou comercialmente ao México e está em investigação no Brasil. Graham trabalha na área há quase 35 anos e considera que a convergência entre genética, biotecnologia, edição genética, inteligência artificial, microrganismos e ferramentas digitais deve alterar mais profundamente o portfólio agrícola da empresa a partir da próxima década.

A ofensiva de inovação decorre enquanto a Bayer ainda gere um dos passivos mais delicados herdados da aquisição da Monsanto: as disputas judiciais envolvendo o glifosato nos Estados Unidos. Neste ano, a empresa anunciou um acordo de até 7,25 mil milhões de dólares para encerrar reivindicações atuais e futuras relacionadas com o herbicida Roundup. Graham procurou separar os dois temas e não indicou que as disputas judiciais tenham provocado alterações na estratégia global de investigação e desenvolvimento agrícola.

Porque importa

A aposta da Bayer define onde podem surgir os próximos produtos que moldam a agricultura, com a biotecnologia e a inteligência artificial a concentrar o esforço de inovação. O peso crescente do Brasil na origem da investigação da empresa significa que decisões de desenvolvimento passam a partir de problemas identificados nas lavouras locais. Para profissionais do setor, o alinhamento entre investimento, tecnologia e mercados regionais é um indício das prioridades de contratação e de especialização nos próximos anos.

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