Obras da alta velocidade arrancam em Portugal com Mota Engil no consórcio AVAN
As obras do primeiro troço da linha de alta velocidade entre o Porto e Lisboa arrancaram a 12 de outubro de 2026, num projeto com cerca de 2.000 milhões de euros. O consórcio AVAN, que integra o Grupo Mota Engil e mais seis construtoras portuguesas, executa o troço entre Campanhã e Oiã.
As obras do primeiro troço da linha de alta velocidade entre o Porto e Lisboa arrancaram a 12 de outubro, em Aveiro, promovidas pela Infraestruturas de Portugal (IP) e pelo consórcio AVAN, com um custo estimado em cerca de 2.000 milhões de euros. Quando a linha estiver concluída, a viagem direta entre as duas cidades deverá passar de cerca de 2 horas e 50 minutos para aproximadamente 1 hora e 15 minutos.
O troço liga a estação do Porto-Campanhã a Oiã, no distrito de Aveiro, e terá 71 quilómetros de via dupla eletrificada, preparada para velocidades até 300 km/h, com cerca de 8 quilómetros de túneis e 19 quilómetros de pontes e viadutos, segundo a IP. O contrato inclui ainda a adaptação da estação de Campanhã à alta velocidade, uma nova estação subterrânea em Santo Ovídio, em Vila Nova de Gaia, e uma nova ponte rodoviária e ferroviária sobre o Douro.
A empreitada é executada sob a forma de associação público-privada, através da AVAN Norte, que reúne sete construtoras portuguesas: Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e Gabriel Couto. O contrato de concessão foi assinado a 29 de julho de 2025 e tem a duração de 30 anos, sendo os cinco primeiros destinados ao projeto, expropriações, financiamento, construção e certificação, e os restantes 25 à manutenção e disponibilização da linha.
No ato de arranque estiveram presentes o ministro da Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e Philippe Chantraine, chefe da unidade de investimento em transportes da DG MOVE da Comissão Europeia. Carlos Mota Santos, que representa o consórcio AVAN e preside o Grupo Mota Engil, destacou que a obra é iniciada por um consórcio constituído exclusivamente por empresas portuguesas, referindo o comunicado do Governo. Paulo Carmona, presidente do conselho de administração executivo da IP, afirmou que o arranque do troço marca a passagem da planeamento para a execução de um dos projetos de infraestrutura mais relevantes para o ferrovial português.
Do total estimado de 2.000 milhões de euros, 875 milhões correspondem a um empréstimo do Banco Europeu de Investimento (BEI) e 480 milhões a um apoio do Mecanismo Conectar Europa. O empréstimo é a primeira tranche de um pacote de 3.000 milhões aprovado pelo banco em 2024 para a linha total, que o BEI estima venha a servir cerca de 10 milhões de passageiros por ano.
A linha de alta voltada a viagens de média e longa distância será construída em via ibérica, a mesma da rede convencional portuguesa, permitindo a passagem entre redes em vários pontos e o acesso a Aveiro, Coimbra e Leiria. A IP sublinha que, ao deslocar os serviços de longo percurso para a via nova, fica capacidade na Linha do Norte para comboios suburbanos, regionais e de mercadorias.
O troço Porto-Oiã, com conclusão prevista para 2030, é apenas o primeiro de várias fases. O segundo troço, entre Oiã e Soure, ainda não foi adjudicado, e o Governo português aponta para uma ligação Lisboa-Madrid em cerca de três horas até 2034.
Porque importa
O arranque das obras coloca o Grupo Mota Engil na execução do maior projeto ferroviário do país, ao integrar o consórcio AVAN Norte. A ligação do Porto a Lisboa em cerca de 1 hora e 15 minutos e a libertação de capacidade na Linha do Norte para comboios suburbanos e de mercadorias alteram a operação ferroviária portuguesa. O projeto reforça ainda a ligação de Portugal à rede europeia, no âmbito do Corredor Atlântico da Rede Transeuropeia de Transporte.