ExpansãoGrupo Mota Engil23 de outubro de 2026

Obras da alta velocidade arrancam em Portugal com Mota Engil no consórcio AVAN

As obras do primeiro troço da linha de alta velocidade entre o Porto e Lisboa arrancaram a 12 de outubro de 2026, num projeto com cerca de 2.000 milhões de euros. O consórcio AVAN, que integra o Grupo Mota Engil e mais seis construtoras portuguesas, executa o troço entre Campanhã e Oiã.

As obras do primeiro troço da linha de alta velocidade entre o Porto e Lisboa arrancaram a 12 de outubro, em Aveiro, promovidas pela Infraestruturas de Portugal (IP) e pelo consórcio AVAN, com um custo estimado em cerca de 2.000 milhões de euros. Quando a linha estiver concluída, a viagem direta entre as duas cidades deverá passar de cerca de 2 horas e 50 minutos para aproximadamente 1 hora e 15 minutos.

O troço liga a estação do Porto-Campanhã a Oiã, no distrito de Aveiro, e terá 71 quilómetros de via dupla eletrificada, preparada para velocidades até 300 km/h, com cerca de 8 quilómetros de túneis e 19 quilómetros de pontes e viadutos, segundo a IP. O contrato inclui ainda a adaptação da estação de Campanhã à alta velocidade, uma nova estação subterrânea em Santo Ovídio, em Vila Nova de Gaia, e uma nova ponte rodoviária e ferroviária sobre o Douro.

A empreitada é executada sob a forma de associação público-privada, através da AVAN Norte, que reúne sete construtoras portuguesas: Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e Gabriel Couto. O contrato de concessão foi assinado a 29 de julho de 2025 e tem a duração de 30 anos, sendo os cinco primeiros destinados ao projeto, expropriações, financiamento, construção e certificação, e os restantes 25 à manutenção e disponibilização da linha.

No ato de arranque estiveram presentes o ministro da Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e Philippe Chantraine, chefe da unidade de investimento em transportes da DG MOVE da Comissão Europeia. Carlos Mota Santos, que representa o consórcio AVAN e preside o Grupo Mota Engil, destacou que a obra é iniciada por um consórcio constituído exclusivamente por empresas portuguesas, referindo o comunicado do Governo. Paulo Carmona, presidente do conselho de administração executivo da IP, afirmou que o arranque do troço marca a passagem da planeamento para a execução de um dos projetos de infraestrutura mais relevantes para o ferrovial português.

Do total estimado de 2.000 milhões de euros, 875 milhões correspondem a um empréstimo do Banco Europeu de Investimento (BEI) e 480 milhões a um apoio do Mecanismo Conectar Europa. O empréstimo é a primeira tranche de um pacote de 3.000 milhões aprovado pelo banco em 2024 para a linha total, que o BEI estima venha a servir cerca de 10 milhões de passageiros por ano.

A linha de alta voltada a viagens de média e longa distância será construída em via ibérica, a mesma da rede convencional portuguesa, permitindo a passagem entre redes em vários pontos e o acesso a Aveiro, Coimbra e Leiria. A IP sublinha que, ao deslocar os serviços de longo percurso para a via nova, fica capacidade na Linha do Norte para comboios suburbanos, regionais e de mercadorias.

O troço Porto-Oiã, com conclusão prevista para 2030, é apenas o primeiro de várias fases. O segundo troço, entre Oiã e Soure, ainda não foi adjudicado, e o Governo português aponta para uma ligação Lisboa-Madrid em cerca de três horas até 2034.

Porque importa

O arranque das obras coloca o Grupo Mota Engil na execução do maior projeto ferroviário do país, ao integrar o consórcio AVAN Norte. A ligação do Porto a Lisboa em cerca de 1 hora e 15 minutos e a libertação de capacidade na Linha do Norte para comboios suburbanos e de mercadorias alteram a operação ferroviária portuguesa. O projeto reforça ainda a ligação de Portugal à rede europeia, no âmbito do Corredor Atlântico da Rede Transeuropeia de Transporte.

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