Airbus avalia "ativamente" renovação dos helicópteros para as fragatas da Marinha
A Airbus Helicopters afirma estar a avaliar ativamente a substituição dos helicópteros das fragatas da Marinha Portuguesa e está "preparada para apresentar a sua solução". A renovação é uma prioridade anunciada pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, mas os atuais aparelhos devem permanecer operacionais até 2035.
A Airbus Helicopters afirma estar a "avaliar ativamente" a oportunidade de fornecer os futuros helicópteros das fragatas da Marinha Portuguesa e está "preparada para apresentar a sua solução", segundo Julien Negrel, vice-presidente para a Europa Ocidental da Airbus Helicopters, em declarações ao ECO/eRadar.
Negrel identifica o NH90 NFH (NATO Frigate Helicopter) como o "produto mais adequado" para as fragatas portuguesas, descrevendo-o como uma aeronave bimotora avançada e multifunções concebida para operações navais, com capacidades de guerra antissubmarina e vigilância marítima que, segundo o executivo, "proporcionam a dissuasão e a capacidade de defesa necessárias para proteger a extensa costa portuguesa". Questionado sobre a hipótese de apresentar uma proposta não solicitada ao Estado português, Negrel não comentou vias processuais específicas, mas sublinhou que a empresa "aguarda com expectativa a possibilidade de participar num processo de aquisição aberto e dinâmico".
A intenção de renovar a frota de helicópteros das fragatas foi anunciada pelo Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), o almirante Jorge Nobre de Sousa, que pretende ver essa prioridade vertida na nova Lei de Programação Militar. Nas palavras do almirante, citadas pela agência Lusa, a prioridade é um terceiro submarino e, "imediatamente na sequência", a substituição futura dos helicópteros das fragatas.
Contudo, a renovação deverá ocorrer mais tarde: a compra das fragatas FREMM EVO à Fincantieri não inclui os helicópteros que operam a bordo, uma vez que estes foram modernizados e estão operacionais até 2035, data da primeira manutenção das fragatas a adquirir à Itália. "Até lá temos tempo para analisar as opções de mercado e, inclusive, se nos mantemos no modelo de um helicóptero operado presencialmente ou por via remota", referiu o almirante Jorge Nobre de Sousa.
A Airbus afirma ter um equipamento que várias Armadas europeias já adotaram: a Alemanha recebeu em dezembro o primeiro Sea Tiger, variante naval do NH90, no âmbito de uma encomenda de 31 aeronaves destinadas a substituir a frota Sea Lynx; Espanha acrescentou seis unidades à sua frota existente, tendo recebido até agora cinco; e os Países Baixos confirmaram a extensão da capacidade para 3+2 aeronaves.
Porque importa
A decisão sobre os helicópteros das fragatas condiciona a capacidade naval portuguesa para além de 2035 e deverá recair sobre uma nova Lei de Programação Militar. O interesse da Airbus acrescenta uma peça ao cenário de concorrência, num momento em que a Marinha diz ter tempo para definir requisitos e modelar a operação dos aparelhos.