Ações do Hostelworld descem para mínimos de quatro anos após aviso de resultados abaixo do esperado
O grupo irlandês de reservas de hostels prevê que o EBITDA do ano fique entre 20 e 21 milhões de euros, abaixo das expectativas dos analistas, com o conflito no Médio Oriente a pressionar as reservas. As ações chegaram a cair 16,5% em Londres, atingindo o nível mais baixo em quatro anos.
O Hostelworld Group, grupo sediado em Dublin dedicado à reserva de hostels, viu as suas ações descerem para mínimos de quatro anos na passada quarta-feira, 7 de outubro, depois de alertar que o resultado operacional do ano ficará abaixo do esperado devido ao peso do conflito no Médio Oriente nas reservas, segundo noticiou o The Irish Times.
A empresa prevê agora um EBITDA entre 20 e 21 milhões de euros neste ano, face aos 22,9 milhões de euros esperados pelos analistas. Em 2025, o resultado foi de 19,9 milhões de euros. Em Londres, onde as ações são mais negociadas do que em Dublin, a cotação chegou a recuar 16,5%, para 85,2 pence, no início da sessão, tendo recuperado parte do terreno até ao início da tarde, com uma queda de 8,5%, ligeiramente acima de 93 pence.
No terceiro trimestre, a crescimento da receita líquida abrandou para uma taxa anual de 7%, face aos 12% registados na primeira metade do ano, e as reservas líquidas desceram 2%, para 1,6 milhões de transações. "O conflito reduziu o nosso crescimento de volume em cerca de quatro pontos percentuais, face a aproximadamente três na primeira metade do ano, concentrado em rotas entre a Europa e a Ásia ou a Oceânia", afirmou o administrador-gerente Gary Morrison, citado pelo jornal.
O restante impacto resultou, em proporções aproximadamente iguais, de uma procura mais fraca de longo curso nas rotas entre a Europa e as Américas e de uma menor tráfego orgânico web em toda a indústria, à medida que as respostas de inteligência artificial respondem a mais pesquisas, acrescentou. A procura dentro da Europa e a partir da América do Norte manteve-se, de forma geral, estável. A empresa acrescentou que espera que o efeito negativo sobre os volumes se prolongue até 2027.
O Hostelworld afirmou ainda que não pretende apresentar na assembleia-geral de 2027 uma nova resolução sobre doações políticas, depois de 20% dos accionistas terem votado contra a proposta desta ano, que permitia doações até um montante agregado de 100 mil euros. Segundo o grupo, a direção compreendeu, após o diálogo com os accionistas, que os votos contra refletiram políticas gerais de voto de certos accionistas em matéria de doações políticas e não preocupações específicas da empresa.
Porque importa
O aviso coloca o Hostelworld num contexto de incerteza para o setor do turismo de lazer, com a empresa a reconhecer que o conflito no Médio Oriente e a procura de longo curso continuarão a pesar nos volumes pelo menos até 2027. O abrandamento do crescimento da receita e a queda das reservas no terceiro trimestre mostram que os efeitos já são mensuráveis no negócio, e não apenas um risco futuro. A resposta da empresa à queda das ações e ao voto de accionistas sobre doações políticas sugere ainda maior atenção à relação com os investidores.
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