Quando é realmente pedida, a estrutura em quatro blocos, o parágrafo que decide a candidatura e os erros que a eliminam.
Como escrever uma carta de motivação
Uma carta de motivação não é a versão em prosa do CV. O CV diz o que já fizeste; a carta diz porque é que isso importa para esta empresa em particular. Se não consegues dizer isso numa página, o problema não é a escrita — é a falta de pesquisa. Este guia dá-te a estrutura, o parágrafo que decide e o que cortar.
Quando é que precisas mesmo de uma
- Quando é pedida. Se o anúncio a menciona, é um filtro: quem não envia não passa.
- Candidatura espontânea. Aqui é obrigatória — sem ela não há CV a explicar-se.
- Concurso público e candidaturas a instituições. Habitualmente há regras de formato, e a carta é avaliada como documento.
- Vagas internacionais. Em muitos países é uma peça esperada, sobretudo no Reino Unido e na Irlanda.
E quando não precisas: se o anúncio pede só CV, uma carta a mais é ruído e pode até excluir-te por não seguires instruções.
A estrutura que funciona (uma página)
Quatro blocos, por esta ordem. Nenhum tem mais de um parágrafo curto.
- Quem és e o que queres — duas frases. A função exata a que te candidatas e o teu ponto de partida em relação a ela.
- A prova — um ou dois exemplos concretos que respondem ao problema central da vaga. Resultados, não adjetivos.
- Porque esta empresa — o parágrafo que decide. Tem de ser impossível copiar para outra empresa.
- O que trazes e o próximo passo — o que esperas contribuir e a disponibilidade para falar.
O bloco que separa as cartas boas das resto
"Admiro a vossa cultura de inovação" serve para qualquer empresa do mundo, logo não diz nada. O que funciona é específico e verificável:
- Um produto, projeto ou mudança recente da empresa — e o que pensas sobre ela.
- Um problema do setor que a empresa está a tentar resolver, e a tua experiência com ele.
- Uma ligação concreta entre o que já fizeste e o que eles fazem.
Duas ou três frases chegam. É por isso que este parágrafo se escreve depois de uma hora de pesquisa: site, página de carreiras, notícias do setor e a página da empresa no Joblink, que junta as vagas abertas e o perfil.
Um esqueleto para adaptar
Assunto: Candidatura a [função] — [o teu nome]
Exmo. [nome, se souberes; caso contrário "Equipa de Recrutamento"],
Candidato-me à vaga de [função] publicada em [onde]. Trabalho em [área] há [tempo], onde [uma frase com o teu resultado mais relevante].
[Um parágrafo com um exemplo concreto: situação, o que fizeste, resultado medido. Escolhe o exemplo que mais se parece com o problema descrito na vaga.]
Acompanho [o que a empresa faz — produto, projeto, mudança recente] e é precisamente aí que quero contribuir: [uma frase que ligue o teu exemplo ao problema deles].
Estou disponível para uma conversa e posso partilhar [portefólio/referências/detalhes]. Obrigado pelo tempo.
[Nome] · [telefone] · [email] · [LinkedIn]
Isto é a moldura, não o texto final. Se a tua carta puder ser enviada a outra empresa mudando só o nome, ainda não está pronta.
E-mail de candidatura vs. carta
- Candidatura via formulário: a carta vai no campo "mensagem" ou em PDF, uma página.
- E-mail direto: o corpo do e-mail é a carta. Curta — 150 a 250 palavras —, com o CV em anexo e o nome do ficheiro limpo (
Nome-Apelido-CV.pdf). - Mensagem no LinkedIn: três a quatro frases. Não é sítio para uma carta inteira.
Erros que eliminam uma candidatura
- Repetir o CV. Se a carta conta a mesma história em prosa, não acrescenta nada.
- Nome da empresa errado. Acontece mais do que se imagina — e é o erro que ninguém perdoa.
- Elogios vazios ("empresa líder de mercado", "ambiente dinâmico") sem nada que os sustente.
- "Venho por este meio..." e outras fórmulas de 1990. Escreve como falas.
- Adjetivos sem prova — "altamente motivado", "proativo", "trabalho bem em equipa". Ou mostras com um exemplo, ou cortas.
- Pedir o que a empresa já deu. Se o salário está no anúncio, não perguntes na carta.
- Faltas de ortografia e parágrafos de dez linhas. Uma página é uma página.
Revisão em cinco minutos
- Lê em voz alta: se tropeçares, o recrutador também.
- Confirma o nome da empresa, da função e da pessoa, se a nomeares.
- Corta tudo o que possa aplicar-se a outra empresa.
- Verifica se há pelo menos um resultado com número.
- Confirma o anexo, o formato e o nome do ficheiro.
Próximo passo
Se a carta já está pronta, o passo seguinte é um CV que passa nos filtros ATS, e depois a preparação para a entrevista. As vagas estão em vagas, filtradas por cargo e localização; para candidaturas espontâneas, começa por quem está a contratar.
Resumo: uma página, quatro blocos, um parágrafo impossível de copiar para outra empresa, um resultado com número. Se der para enviar a todos, não está pronta.
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