Vista Alegre cresce para mais de 144 milhões de euros com apoio do Grupo Visabeira
A Vista Alegre passou de cerca de 50 milhões de euros de volume de negócios em 2009 para mais de 144 milhões em 2025, com os mercados externos a representar hoje entre 69% e 75% do negócio. O presidente da Comissão Executiva, Fernando Daniel Campos Nunes, destacou a internacionalização, a produção em private label e a eficiência produtiva como os motores desta evolução.
A Vista Alegre registou um volume de negócios superior a 144 milhões de euros em 2025, contra cerca de 50 milhões em 2009, ano em que o Grupo Visabeira assumiu a empresa, segundo Fernando Daniel Campos Nunes, presidente da Comissão Executiva da Vista Alegre, em entrevista a Miguel Frasquilho, no programa Economia Sem Fronteiras, do canal NOW, publicada pelo Correio da Manhã a 12 de outubro de 2026.
Quando o Grupo Visabeira entrou na Vista Alegre, em 2009, o mercado interno representava mais de 90% do negócio. Hoje, os mercados externos pesam entre 69% e 75% do volume de negócios, com destaque para França, Espanha, Alemanha, Itália, Brasil e Estados Unidos, e crescimento recente na Polónia. Fernando Daniel Campos Nunes afirmou que a empresa se encontra "num processo de consolidação da marca em mercados, alguns maduros, outros menos maduros", com o objetivo de continuar a crescer na Europa e na América Latina.
O executivo apontou ainda o Médio Oriente como uma aposta, referindo a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait como mercados que valorizam a marca, e salientou que a média de idade mais baixa em África justifica olhar para esse continente, "onde cada mercado tem a sua realidade e a sua estratégia". Reconheceu, no entanto, que o orçamento desta ano naquela região foi superior ao concretizado, por não se contar com a instabilidade atual.
O crescimento fez-se com o apoio do Grupo Visabeira e mediante parcerias na distribuição e no design. Segundo o mesmo executivo, a marca Vista Alegre estava "bastante deteriorada" e a recuperação da credibilidade passou por parcerias com designers e referências do setor, seguidas de colaborações com marcas de luxo e premium, como a Bialetti, a Cartier, a Martell e a Bellagio, que "trazem credibilidade à marca e ao nosso poder industrial".
A Vista Alegre Atlantis renovou, pela terceira vez, o contrato de parceria com a Ikea por mais sete anos, com um investimento de cerca de 40 milhões de euros numa nova unidade fabril em Ílhavo — a terceira — e a criação de 100 postos de trabalho. "É um contrato muito assente em inovação industrial e sustentabilidade", afirmou Fernando Daniel Campos Nunes, acrescentando que a nova fábrica terá "muita inovação e inteligência artificial aplicada ao processo".
A empresa produz com marca própria para o retalho, tem uma marca própria para a hotelaria e mantém a valência de private label, produção com a marca de terceiros, como a Ikea. Para o presidente da Comissão Executiva, "os crescimentos da rentabilidade, do EBITDA, do resultado operacional e do resultado líquido são tão importantes como o crescimento do volume de negócios", tal como a transformação industrial, "que não se faz em seis meses".
Porque importa
A evolução da Vista Alegre ilustra o peso da internacionalização numa empresa que dependia quase totalmente do mercado interno em 2009. O novo contrato com a Ikea e a terceira fábrica em Ílhavo reforçam o investimento produtivo em Portugal, com criação de emprego. Para o setor, a combinação de marca própria, private label e eficiência industrial constitui um modelo a acompanhar.