Sandoz reduz previsão de vendas e aumenta expectativa de lucro
A farmacêutica suíça Sandoz baixou a sua previsão de crescimento anual de vendas para 2026, depois de os resultados do terceiro trimestre ficarem aquém do esperado, mas reviu em alta a margem de EBITDA prevista para o mesmo ano.
A fabricante de genéricos Sandoz anunciou, a 28 de outubro, em Zurique, que reduziu a sua previsão de crescimento das vendas líquidas para 5-6% em taxas constantes de câmbio, face aos "meio a alto dígito único» que tinha previsto anteriormente, segundo noticiou a Reuters. Em contrapartida, a empresa elevou as suas expectativas de rentabilidade, apontando para uma margem de EBITDA de 23%-23,5% em 2026, face a uma subida prevista de cerca de 100 pontos base a partir dos 21,7% registados em 2025.
As vendas do terceiro trimestre ficaram abaixo das expectativas, com destaque para o departamento de biossimilares, que gerou 998 milhões de dólares, um aumento de 17% em taxas constantes de câmbio face ao mesmo período do ano anterior, mas abaixo dos 1,02 mil milhões de dólares previstos pelos analistas. A empresa afirmou que se expandiu no mercado europeu, mas que as condições na Alemanha se revelaram mais desafiantes do que o antecipado, tendo a América do Norte liderado as vendas do trimestre.
Os títulos da Sandoz recuaram até 8% na sessão de quarta-feira. No dia, o diretor-executivo Richard Saynor afirmou ter mantido conversas com a administração norte-americana depois de o presidente Donald Trump ter ameaçado o setor de genéricos com tarifas elevadas a partir de agosto de 2028, caso os laboratórios não produzam medicamentos no país.
A Sandoz apresentou em março uma queixa antidumping à Comissão Europeia contra importações de princípios ativos de amoxicilina da China. Saynor revelou que outra empresa aderiu à reclamação, sem a identificar, e acrescentou que o regulador europeu (EMA) tende a retirar a amoxicilina da lista de medicamentos críticos da Europa — decisão que, segundo o dirigente, daria à empresa "o direito de reconsiderar a nossa posição em termos de plena integração vertical na Europa».
Porque importa
A revisão das previsões da Sandoz mostra que as restrições de curto prazo na fornecida de biossimilares e as condições alemãs pesaram sobre um setor já pressionado por tarifas e concorrência asiática. A revisão em alta da margem sugere que a empresa aposta na rentabilidade, ainda que com vendas mais contidas. Para o setor farmacêutico europeu, a possível saída da amoxicilina da lista de medicamentos críticos pode alterar decisões de produção e de integração vertical no continente.