Revolut obtém licenças bancárias e acelera a expansão na América
A fintech britânica recebeu licenças bancárias completas no México e na Colômbia e aguarda aprovações nos Estados Unidos e no Peru, ao mesmo tempo que negoceia a entrada na Argentina através da compra das operações da Cetelem. No Brasil, opera como Sociedade de Crédito Direto desde 2023 e explora a via orgânica para obter autorização de banco múltiplo.
A Revolut entrou numa fase mais agressiva do processo de expansão na América, depois de obter licenças bancárias completas no México e na Colômbia — esta última no mês passado — e de aguardar o aval final dos reguladores dos Estados Unidos e do Peru, segundo o Estadão. A fintech britânica prepara ainda a entrada na Argentina através da aquisição das operações locais da francesa Cetelem, operação já aprovada pelo banco central do país vizinho.
No Brasil, a instituição financeira atua como Sociedade de Crédito Direto (SCD) desde 2023 e mantém discussões preliminares para subir na escala regulatória e, eventualmente, obter autorização para funcionar como banco múltiplo. Diferentemente do Nubank, que obteve a licença brasileira após comprar o Banco Porto Real de Investimentos, a Revolut deve optar pela via orgânica, sem um prazo detalhado para os planos.
A empresa, que contava com cerca de 80 milhões de clientes, traça uma meta de longo prazo ambiciosa: tornar-se um dos três maiores bancos em cada mercado onde entra. Para isso, pretende alargar a presença de pouco mais de 40 para 100 países e atingir os 100 milhões de utilizadores ativos. França, Reino Unido, Austrália e Lituânia estão entre os territórios onde obteve recentemente aval dos reguladores.
A estratégia assenta na ideia de que a presença capilar atraia clientes que se deslocam entre países e acelere o crescimento, também na Europa. "Existe um claro efeito de rede entre os países", afirmou Ignacio Zunzunegui, chefe de crescimento da América da Revolut. "Vimos que, quando crescemos mais fora da Europa, aceleramos o crescimento também na Europa."
Nos Estados Unidos, a Revolut presta serviços financeiros através de uma parceria de banking as a service com o Lead Bank, que fornece a estrutura regulatória da operação — o mesmo arranho usado pelo Nubank para antecipar a entrada no mercado americano. Ambas obtiveram este ano aprovação condicional para constituir um banco nacional e esperam conseguir o aval definitivo no ano seguinte. A empresa procura ainda autorizações na Índia, na Suíça e na África do Sul, depois de as ter obtido nos Emirados Árabes Unidos.
Avaliada em 115 mil milhões de dólares numa ronda privada de venda de ações que está a ser concluída, a Revolut pode abrir capital através de uma dupla listagem, em Nova Iorque e em Londres, segundo o seu fundador, Nikolay Storonsky. Zunzunegui garante que uma eventual oferta serviria mais para remunerar os investidores atuais do que para levantar recursos: "Temos uma empresa já saudável e lucrativa; não precisamos de capital de fora para crescer."
Porque importa
A entrada da Revolut na América intensifica a concorrência com o Nubank no continente e pode alterar o equilíbrio entre os principais bancos digitais que ali operam. A ambição de estar entre os três maiores bancos de cada mercado e de chegar a 100 milhões de utilizadores ativos dá à empresa uma dimensão regional que interessa a quem procura emprego ou oportunidades no setor financeiro digital.