OutroMcKinsey & Company23 de outubro de 2026

Redes elétricas são o principal obstáculo à expansão da IA, alerta McKinsey

A consultora McKinsey & Company identifica a disponibilidade de energia e o acesso às redes elétricas como constrangimentos estruturais ao crescimento da Inteligência Artificial. O relatório “Technology Trends Outlook 2026” aponta para mais de 2.500 gigawatts de projetos à espera de ligação às redes no mundo.

A expansão da Inteligência Artificial esbarra cada vez mais na infraestrutura elétrica, segundo a McKinsey & Company. A disponibilidade de energia, o acesso à rede e o tempo necessário para garantir o fornecimento estão a emergir como constrangimentos estruturais ao crescimento da IA, alerta a consultora no relatório “Technology Trends Outlook 2026”, divulgado esta quinta-feira, 22 de outubro de 2026.

O documento aponta que mais de 2.500 gigawatts de projetos energéticos, armazenamento e grandes consumidores estão à espera de ligação às redes elétricas em todo o mundo, num momento em que a procura de energia para alimentar a IA acelera. Em muitos mercados, os centros de dados podem ser construídos mais depressa do que as linhas de transmissão, subestações e transformadores necessários para os alimentar.

Nos Estados Unidos, a procura de eletricidade associada à infraestrutura de IA deverá passar de cerca de 30 gigawatts em 2025 para mais de 90 gigawatts em 2030 — um volume comparável ao consumo elétrico atual da Califórnia —, podendo os centros de dados representar 14% da procura total de eletricidade do país nesse período, contra 3% em 2022.

A pressão sobre os sistemas energéticos está também a reorientar o investimento: as tecnologias de energia e sustentabilidade foram a área que mais capital atraiu em 2025, com mais de 194 mil milhões de dólares, o valor mais elevado entre as 14 tendências tecnológicas analisadas. “A Inteligência Artificial deixou de estar centrada apenas nos algoritmos. À medida que a tecnologia se expande para aplicações no mundo físico, fatores como energia, infraestrutura, semicondutores e talento tornam-se determinantes para capturar valor”, afirmou Benjamim Vieira, sócio sénior da McKinsey & Company, citado no comunicado.

O relatório descreve ainda uma nova fase de desenvolvimento tecnológico, marcada pela convergência entre o digital e o físico, em que a IA depende de chips, redes elétricas, conectividade, infraestruturas e talento qualificado. Para Portugal, a consultora considera que o país parte de uma posição favorável, apoiada na incorporação crescente de renováveis, na capacidade de atrair investimento tecnológico e na integração nos principais corredores digitais europeus; o desafio será acompanhar essas vantagens com talento, modernização das infraestruturas e capacidade de executar projetos à escala necessária.

Porque importa

A ligação entre IA e infraestrutura elétrica passa a condicionar onde e a que ritmo os centros de dados podem ser construídos. A concentração de mais de 2.500 gigawatts de projetos à espera de ligação mostra que o gargalo já não é apenas tecnológico, mas de rede. Para Portugal, a questão traduz-se na capacidade de modernizar infraestruturas e atrair talento para acompanhar o investimento que chega.

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