OutroForvis Mazars23 de outubro de 2026

M&A no sul da Europa movimentou mais 37% de capital no primeiro semestre, segundo Forvis Mazars

A auditora Forvis Mazars aponta para 147,7 mil milhões de euros em fusões e aquisições no sul da Europa entre janeiro e junho, impulsionado por megadeals. Em contraciclo, Portugal registou 800 milhões de euros e 82 operações.

O valor movimentado em fusões e aquisições (M&A) no sul da Europa cresceu 37% no primeiro semestre de 2026, para um total de 147,7 mil milhões de euros, segundo uma análise da auditora internacional Forvis Mazars divulgada esta quinta-feira. Apesar da subida do capital, o número de operações na região recuou 6%.

Segundo o estudo "Investing in Southern Europe: M&A and Private Equity Activity in 2026", os chamados megadeals e o interesse continuado dos investidores internacionais sustentaram a atividade numa zona da Europa onde se insere Portugal. Já o mercado português segue em contraciclo, com 800 milhões de euros entre janeiro e junho, face aos 6,3 mil milhões de euros registados no período homólogo.

O número de operações em Portugal caiu 37%, para 82, contabilizando apenas transações de valor mais alto, uma vez que a Forvis Mazars se baseou nos dados da Mergermarket, que analisa negócios acima de cinco milhões de euros em Itália, Espanha, Suíça, Turquia, Portugal e Grécia. Entre os investimentos em destaque no país estão o grupo Sabseg, de mediação de seguros e gestão de risco, na gestora de investimento Miura Partners, por 600 milhões de euros, e a compra do hotel de cinco estrelas Caesar Park, em Sintra, por 140 milhões de euros, pelo Catterton Management e pela Cedar Capital Partners.

As três maiores operações anunciadas em Portugal no período foram lideradas por compradores internacionais, do Reino Unido, de Espanha e dos Países Baixos, o que confirma, para a consultora, o interesse dos investidores estrangeiros no mercado nacional. No total, a Mergermarket identificou 608 notícias sobre empresas do sul da Europa disponíveis para venda, das quais 33 se referiam a portuguesas, repartidas por 12 setores.

A auditora considera que as perspetivas para a atividade de M&A no sul da Europa continuam positivas, face às condições de financiamento globalmente favoráveis, ao volume de empresas disponíveis para venda por processos de sucessão e à revisão contínua dos portefólios de negócios. A digitalização, a transição energética, a inovação na saúde e a transformação da indústria deverão continuar a impulsionar os negócios a longo prazo, apesar das tensões geopolíticas e da subida dos preços da energia e das taxas de juro.

A consultora Filipa Matias refere que a perspetiva positiva é sustentada por operações com apoio de fundos de capital de risco, pelo interesse contínuo de investidores estrangeiros e pela consolidação em setores fragmentados, especialmente em tecnologia, serviços empresariais, indústria e ativos imobiliários e hoteleiros.

Porque importa

O recuo do capital M&A em Portugal face a um crescimento de 37% na região sugere que o país não acompanha a dinâmica dos vizinhos do sul da Europa, apesar do interesse de compradores estrangeiros. As 33 oportunidades identificadas e a atividade em operações de menor dimensão apontam para um mercado com procura latente que não fica visível nos dados de transações com valor divulgado. Para empresas e investidores, o contexto reforça a importância do acompanhamento de operações de média dimensão e dos setores onde a consolidação está a avançar.

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