OutroBanco De Portugal24 de setembro de 2026

Guia do Banco de Portugal e do INE reúne os principais indicadores da economia portuguesa

A três semanas da entrega da proposta de Orçamento do Estado para 2027, o INE e o Banco de Portugal atualizaram indicadores-chave, do saldo orçamental à taxa de poupança das famílias. O ECO resume os números que convém conhecer.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Banco de Portugal atualizaram esta quarta-feira vários indicadores económicos, bem como as projeções para o ano corrente, a três semanas da entrega da proposta de Orçamento do Estado para 2027. Entre os dados divulgados estão o saldo orçamental, o rácio da dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB), o crescimento da economia e a taxa de poupança das famílias.

No lado das contas públicas, o Estado registou um excedente orçamental de 0,5% no primeiro semestre do ano, equivalente a 803 milhões de euros, invertendo receios de uma deterioração das contas depois de um défice de 0,7% nos primeiros três meses. Para o conjunto de 2026, o Governo aponta agora para um saldo nulo, depois de o Orçamento do Estado para 2026 ter previsto um ligeiro excedente de 0,1%. O Ministério das Finanças espera terminar o ano com a dívida pública nos 87,5% do PIB, previsão que se mantém inalterada.

O INE reviu em alta o crescimento da economia no segundo trimestre em 0,1 pontos percentuais, quer em termos homólogos, quer na variação em cadeia: o PIB subiu 2,6% entre abril e junho, com uma taxa de variação em cadeia de 0,9%. Em 2024, a economia cresceu 2,7%, mais 0,5 pontos percentuais do que a estimativa anterior, o que obrigou a ajustamentos em baixa do rácio da dívida pública: de 93,6% para 93% em 2024 e de 89,7% para 89,2% em 2025. O crescimento de 1,9% em 2025 foi confirmado.

A carga fiscal em percentagem do PIB aumentou no ano passado para 35,3%, subida explicada pelo crescimento nominal da receita fiscal e contributiva superior ao da economia. No segundo trimestre, a despesa corrente cresceu 5,1% em termos homólogos, impulsionada pelos subsídios (53,6%), remunerações dos empregados (5,7%), encargos com prestações sociais (5,2%) e consumo intermédio (4,6%). As famílias pouparam 12,1 euros por cada 100 euros de rendimento disponível, com a taxa de poupança a recuar 0,3 pontos percentuais, por a subida das despesas de consumo final ter ultrapassado o crescimento do rendimento disponível.

Porque importa

Os indicadores divulgados pelo INE e pelo Banco de Portugal servem de base às decisões orçamentais que estão a ser preparadas para 2027. A leitura conjunta do saldo, do PIB, da dívida pública e da poupança das famílias permite avaliar a margem de manobra das contas públicas e o comportamento do consumo interno.

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