Grupo Mota Engil vence leilão do primeiro túnel submerso do Brasil, em Santos
O Túnel Santos-Guarujá terá um investimento estimado em 6,8 mil milhões de reais e deverá reduzir uma viagem de cerca de uma hora para até cinco minutos. O leilão, realizado em setembro de 2025, foi vencido pelo Grupo Mota Engil, com um contrato de 30 anos.
O primeiro túnel submerso do Brasil, situado no litoral do estado de São Paulo, deverá reduzir a travessia entre Santos e Guarujá de cerca de uma hora para até cinco minutos. O leilão do empreendimento foi realizado em setembro de 2025 e vencido pelo Grupo Mota Engil, segundo a Folha Vitória.
O Túnel Santos-Guarujá representa um investimento estimado em 6,8 mil milhões de reais, com participação de recursos públicos federais e estaduais. O contrato tem uma duração de 30 anos e abrange a construção, a operação e a manutenção da estrutura, que passará sob o canal do Porto de Santos.
A obra terá aproximadamente 1,5 quilómetro de extensão, dos quais cerca de 870 metros ficarão submersos. A técnica a utilizar é a do túnel imerso: grandes módulos de betão serão fabricados em estaleiro, transportados para o canal e posicionados numa trincheira preparada no fundo, onde serão submersos, alinhados e ligados entre si. Será a primeira vez que este método é empregue numa obra deste tipo no país.
A estrutura disporá de três faixas por sentido, além de espaços destinados ao transporte público, a pedestres e a ciclistas, com previsão de futura circulação de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Estão também previstas rampas, viadutos e acessos urbanos, bem como uma ligação de cerca de dois quilómetros entre a região de Vicente de Carvalho, em Guarujá, e a Estrada Cônego Doménico Rangoni.
Hoje, quem circula entre as duas cidades usa o sistema de balsas ou percorre uma ligação rodoviária de aproximadamente 40 quilómetros, segundo o Governo de São Paulo. Mais de 28 mil pessoas atravessam diariamente as duas margens em balsas e embarcações menares, de acordo com informações oficiais do projeto.
O cronograma prevê o desenvolvimento dos projetos funcional e executivo em 2026, a mobilização dos canteiros e os primeiros serviços de dragagem em 2027, a fabricação dos módulos de betão em 2028, a imersão e montagem dos elementos em 2029 e os acabamentos, a instalação de sistemas e os testes operacionais em 2030. Se o calendário for mantido, a operação comercial arranca em 2031.
Porque importa
A obra cria pela primeira vez uma ligação viária fixa entre Santos e Guarujá pelo canal portuário, dispensando as balsas e o longo contorno rodoviário. O impacto deverá sentir-se também no fluxo logístico associado ao Porto de Santos, uma vez que os camiões passarão a utilizar a nova ligação. Para o Grupo Mota Engil, trata-se do contrato de concessão de uma das maiores obras de infraestrutura previstas para o Brasil nos próximos anos.