FORVIA decide vender o negócio de interiores automóveis, com 59 fábricas a nível mundial
A FORVIA anunciou a venda do seu negócio de interiores automóveis a um fundo gerido pela empresa de investimento norte-americana Apollo, transação que abrange 59 fábricas em todo o mundo e cerca de 31.000 funcionários. O negócio representa aproximadamente 18% das vendas do grupo.
A FORVIA anunciou, a 27 de abril de 2026, a assinatura de um acordo para vender o seu negócio de interiores automóveis a um fundo gerido pela empresa de investimento norte-americana Apollo, segundo informação divulgada no site de comentários note.com.
O negócio abrange 59 fábricas a nível mundial, oito centros de investigação e desenvolvimento, operações em 19 países e cerca de 31.000 funcionários, com vendas de 4,82 mil milhões de euros em 2025 (cerca de 820 mil milhões de ienes). O valor da empresa na transação fixa-se em 1,82 mil milhões de euros (aproximadamente 310 mil milhões de ienes), o que equivale a cerca de 3,1 vezes o EBITDA ajustado de 582 milhões de euros em 2025. O mesmo texto adverte que o valor da empresa inclui dívida e outros fatores, pelo que não corresponde diretamente a receita líquida para a FORVIA.
A rentabilidade explica em parte a decisão: as vendas do negócio de interiores rondaram os 5,1 mil milhões de euros em 2024, mas a margem operacional ficou em 2,1%, subindo apenas para 2,3% em 2025, contra 5,6% no conjunto do grupo no mesmo ano — 6,0% em operações contínuas, já sem aquele negócio. Em 2024, a margem foi penalizada por um problema ligado a um fornecedor no México, que gerou perturbações na produção na América do Norte e custos adicionais de 47 milhões de euros no primeiro semestre, incluindo despesas de transporte urgente.
A FORVIA resulta da integração de várias empresas com histórias distintas: Bertrand Faure, fundada em 1914 em França, e a ECIA, de origem ligada à Peugeot, deram lugar à Faurecia entre 1997 e 1999. O grupo adquiriu a Sommer Allibert em 2000, a Clarion japonesa em 2019 e uma participação de controlo na alemã HELLA em 2022, adotando então a marca FORVIA. Segundo o mesmo texto, a venda do negócio de exterior à Plastic Omnium, em 2016, inscreve-se numa reestruturação de portefólio que a empresa vem repetindo.
Porque importa
A operação retira do grupo um negócio que representa cerca de 18% das vendas e que arrasta a margem operacional para baixo, o que deve elevar a rentabilidade agregada da FORVIA. Para os fornecedores de componentes e para os seus colaboradores, a troca de proprietário não altera de imediato fábricas, equipamentos ou equipas, mas muda a entidade que decide sobre investimentos e emprego nos 19 países onde a atividade está presente.