Força Aérea Portuguesa coloca mais dois satélites de radar em órbita com participação do CEiiA
O CA-03 e o CA-04, satélites de radar de abertura sintética da "Constelação do Atlântico", foram lançados a 20 de Outubro de 2026, pelos EUA. O projeto é desenvolvido no âmbito do Centro de Tecnologia e Inovação (CTI) Aeroespacial, que integra o CEiiA, a Força Aérea Portuguesa e a GEOSAT.
A Força Aérea Portuguesa (FAP) passou a contar, desde 20 de Outubro de 2026, com mais dois satélites em órbita da sua "Constelação do Atlântico" (CA), designados CA-03 e CA-04, equipados com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR), de acordo com a notícia do vmtv.sapo. O lançamento cumpre o cronograma iniciado com o CA-01, a 30 de Março de 2026, e o CA-02, a 3 de Maio de 2026.
A colocação em órbita terrestre baixa, de inclinação intermédia, foi assegurada pela norte-americana SpaceX, a partir da Base da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida (EUA), com um foguetão Falcon 9 (Block 5), na 5.ª missão partilhada "Bandwagon-5", que transportou 32 cargas úteis. O lançamento teve lugar pelas 12:04 (hora de Portugal continental) de 20 de Outubro de 2026, informa a mesma fonte.
Os quatro satélites da constelação incorporam a solução de SAR da finlandesa ICEYE, contratada desde 12 de Junho de 2025, com integração da Exolaunch, permitindo observação contínua, dia e noite, através do tecto de nuvens, com frequência de revisita intradiária. Serão operados a partir do Centro de Operações Espaciais da FAP, em Monsanto, Lisboa, sob comando do Coronel ENGEL Pedro Miguel da Silva Costa.
A "Constelação do Atlântico" é desenvolvida no contexto do Centro de Tecnologia e Inovação (CTI) Aeroespacial, apresentado publicamente a 24 de Setembro de 2024, composto pelo CEiiA, pela Força Aérea Portuguesa e pela GEOSAT, referencia a fonte. O CTI visa um sistema de satélites de alta e muito alta resolução para observação da Terra, orientado à defesa europeia e ao duplo uso em contexto civil de proteção ambiental.
No cronograma da FAP, foi alcançada em 2026 a colocação em órbita de quatro satélites SAR, com previsão de oito unidades desta tipologia até 2028, acrescidas de dois satélites ópticos de muito alta resolução. Em total, a constelação deverá suportar 26 satélites — 12 SAR e 14 ópticos —, com os "Space Hubs" de Alverca e Guimarães envolvidos no fornecimento, detalha o vmtv.sapo.
Com estas unidades, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Sérgio da Costa Pereira, afirmou que "com estes dois novos satélites, Portugal reforça a sua capacidade soberana de observar, compreender e proteger aquilo que é seu. Mais capacidade no Espaço significa maior liberdade de acção na Terra".
Porque importa
A entrada em serviço dos CA-03 e CA-04 reforça a capacidade nacional de observação contínua do território e dos espaços marítimos, incluindo a Zona Económica Exclusiva. O projeto envolve diretamente o CEiiA, que integra o CTI Aeroespacial ao lado da Força Aérea e da GEOSAT, situando a engenharia de Matosinhos no esforço soberano de observação da Terra. O cronograma aponta para 26 satélites até à fase final, o que deverá consolidar uma cadeia industrial nacional de construção de satélites.