Euronext mostra abertura a fusão com a Deutsche Börse para criar mercado único europeu
O CEO da Euronext, Stéphane Boujnah, afirmou que a empresa está disposta a avançar para uma fusão ou aproximação com a Deutsche Börse, com o objetivo de criar um mercado acionista único europeu. Contudo, a própria Deutsche Börse esclareceu que não existem negociações em curso.
A Euronext está aberta a uma fusão com a sua maior rival, a Deutsche Börse, ou pelo menos a uma aproximação das respetivas atividades de bolsa. A abertura foi feita pelo CEO, Stéphane Boujnah, numa entrevista ao "Financial Times", avançada a 14 de setembro de 2026, segundo o Jornal Económico.
Boujnah não descartou uma fusão total, mas reconheceu que a operação enfrentaria "obstáculos regulatórios significativos". A sua preferência passa por unir os negócios de exchanges, defendendo um mercado único capaz de servir as três maiores economias da Europa — Alemanha, França e Itália. "O mercado acionista alemão é raso, o da Euronext é profundo", argumentou.
A ideia não é nova: a Deutsche Börse retirou uma proposta em 2006 e uma fusão foi bloqueada pela Comissão Europeia em 2012 por questões de concorrência. Em 2023, os líderes das duas empresas discutiram a criação de uma joint venture para listagens europeias.
Para já, não há negociações em curso. A Deutsche Börse esclareceu que não existem conversações sobre uma eventual fusão e reforçou o compromisso com o seu projeto de ecossistema de capitais europeu. O cenário mais realista é, segundo o Jornal Económico, uma parceria parcial ou uma joint venture entre as bolsas.
Porque importa
A concretização de uma aproximação entre as duas maiores operadoras bolsistas europeias teria impacto direto na forma como as empresas europeias acedem aos mercados de capitais. A decisão está condicionada por desafios regulatórios, políticos e pela posição de acionistas públicos como o CDP italiano e a Caisse des Dépôts francesa.