Estado reforça na REN para 19% e análise aponta para potenciais transações com a Fosun
A Parpública comprou 5,32% do capital da REN à Fidelidade, elevando a participação do Estado para cerca de 19%. O negócio chega enquanto a chinesa Fosun avalia vender a sua posição no BCP, o que o Governo afasta.
O Governo reforçou a participação do Estado na REN para cerca de 19% do capital, depois de a Parpública ter chegado a um acordo, na passada sexta-feira, com o Grupo Fidelidade para a aquisição da totalidade da posição desta seguradora na gestora da rede elétrica nacional. A operação envolve a transmissão de 35.496.424 ações, o equivalente a 5,32% do capital social, segundo comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O valor pago pela participação não foi divulgado. O jornal ECO calcula que o custo total das duas operações — a nova compra e a aquisição de 13,7% à Pontegadea Inversiones, de Amancio Ortega, fechada em setembro por 389,8 milhões de euros — possa chegar aos 537 milhões de euros. A transação à Fidelidade continua dependente do visto do Tribunal de Contas, que já tinha aprovado o primeiro negócio a 31 de agosto.
Com a participação próxima dos 19%, o Estado consolida-se como segundo maior acionista da REN, atrás da State Grid Corporation of China, que detém 25%. O Ministério das Finanças considera "concluído" o objetivo fixado pela Parpública, que era comprar até 20% do capital, e afirma que a operação "visa defender o interesse público e preservar um ativo estratégico para o país".
O reforço surge num momento em que a chinesa Fosun está a avaliar desfazer-se da posição que detém no BCP. Uma análise publicada pelo Jornal de Negócios considera que o movimento do Estado na REN "evidencia potencial para mais transações" entre o Executivo e o Fosun. Para já, o Governo afasta a hipótese de entrar no capital do banco: comprar os 5% da Fosun custaria ao Estado, no mínimo, 813 milhões de euros a preços de mercado, acrescidos de eventual prémio, segundo o mesmo jornal.
A Bloomberg Intelligence considera, por sua vez, que a venda ao Estado português pode contribuir "para uma avaliação mais favorável da participação" da Fosun.
Porque importa
O reforço na REN consolida a presença pública num setor considerado estratégico, mas mantém o Estado atrás da chinesa State Grid, o maior acionista. Em paralelo, a saída da Fidelidade e a avaliação da Fosun sobre o BCP podem abrir caminho a novas operações entre o Executivo e o grupo chinês, embora o Governo exclude, de momento, entrar no banco.
Vagas em REN
Ver todas →Fontes
- Notícias ao Minuto — Estado reforça na REN sem revelar o que pagou: Já terá gasto 537 milhões · 12 de outubro de 2026
- Jornal de Negócios — Reforço na REN "evidencia potencial para mais transações" entre Estado e Fosun · 12 de outubro de 2026
- folhanacional — Governo reforça participação na REN, mas deixa por revelar a fatura final: investimento pode chegar aos 537 milhões de euros · 12 de outubro de 2026
- Notícias ao Minuto — Estado reforça na REN sem dizer o que pagou: Já terá gastado 537 milhões · 12 de outubro de 2026
- ECO – Economia Online — Estado injeta mais 136 milhões na Parpública antes de reforçar na REN para 19% · 11 de outubro de 2026
- Jornal de Negócios — Executivo afasta ideia de entrar no banco BCP e reforça na REN · 11 de outubro de 2026