AquisiçãoREN13 de outubro de 2026

Estado reforça na REN para 19% e análise aponta para potenciais transações com a Fosun

A Parpública comprou 5,32% do capital da REN à Fidelidade, elevando a participação do Estado para cerca de 19%. O negócio chega enquanto a chinesa Fosun avalia vender a sua posição no BCP, o que o Governo afasta.

O Governo reforçou a participação do Estado na REN para cerca de 19% do capital, depois de a Parpública ter chegado a um acordo, na passada sexta-feira, com o Grupo Fidelidade para a aquisição da totalidade da posição desta seguradora na gestora da rede elétrica nacional. A operação envolve a transmissão de 35.496.424 ações, o equivalente a 5,32% do capital social, segundo comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O valor pago pela participação não foi divulgado. O jornal ECO calcula que o custo total das duas operações — a nova compra e a aquisição de 13,7% à Pontegadea Inversiones, de Amancio Ortega, fechada em setembro por 389,8 milhões de euros — possa chegar aos 537 milhões de euros. A transação à Fidelidade continua dependente do visto do Tribunal de Contas, que já tinha aprovado o primeiro negócio a 31 de agosto.

Com a participação próxima dos 19%, o Estado consolida-se como segundo maior acionista da REN, atrás da State Grid Corporation of China, que detém 25%. O Ministério das Finanças considera "concluído" o objetivo fixado pela Parpública, que era comprar até 20% do capital, e afirma que a operação "visa defender o interesse público e preservar um ativo estratégico para o país".

O reforço surge num momento em que a chinesa Fosun está a avaliar desfazer-se da posição que detém no BCP. Uma análise publicada pelo Jornal de Negócios considera que o movimento do Estado na REN "evidencia potencial para mais transações" entre o Executivo e o Fosun. Para já, o Governo afasta a hipótese de entrar no capital do banco: comprar os 5% da Fosun custaria ao Estado, no mínimo, 813 milhões de euros a preços de mercado, acrescidos de eventual prémio, segundo o mesmo jornal.

A Bloomberg Intelligence considera, por sua vez, que a venda ao Estado português pode contribuir "para uma avaliação mais favorável da participação" da Fosun.

Porque importa

O reforço na REN consolida a presença pública num setor considerado estratégico, mas mantém o Estado atrás da chinesa State Grid, o maior acionista. Em paralelo, a saída da Fidelidade e a avaliação da Fosun sobre o BCP podem abrir caminho a novas operações entre o Executivo e o grupo chinês, embora o Governo exclude, de momento, entrar no banco.

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