Ebury quer competir com os grandes bancos no risco cambial e aproxima-se de softwares de gestão como o Cegid
A fintech do Santander mudou de escritório em Lisboa com o objetivo de expandir a equipa até 70% e quer integrar os seus serviços em plataformas de gestão financeira, como o Cegid, para chegar a grandes empresas.
A Ebury, multinacional britânica especializada em pagamentos internacionais e câmbio e detida pelo Santander, mudou-se na semana passada para um novo escritório em Lisboa, com o objetivo de aumentar a equipa em cerca de 70% e ultrapassar os 60 trabalhadores em Portugal. A empresa, que atualmente conta com 33 pessoas na capital, prevê também reforçar as equipas de vendas e de tecnologias da informação.
Em entrevista ao ECO, o country manager da Ebury em Portugal, Gonçalo Vilas Boas, afirmou que a empresa já compete com os grandes bancos no pricing e em produtos de proteção de risco cambial, mas que faltava o lado das integrações com as plataformas de tesouraria e os softwares de gestão das grandes empresas — o que passa, disse, por soluções como o Cegid. "Foi um passo fundamental para podermos chegar a estas empresas", referiu, apontando para setores como a energia, a automóvel e as grandes construtoras com sucursais no estrangeiro.
A Ebury trabalha com empresas que importam ou exportam em moeda estrangeira e tem cerca de 1.300 clientes em Portugal, a maioria de Águeda para norte. A empresa cresce, em média, entre 20% e 25% por ano e fechou o último ano fiscal em grupo com uma faturação de 289 milhões de libras (cerca de 339 milhões de euros); por estratégia, a direção preferiu não revelar a faturação local. A Ebury afirma ainda que a inteligência artificial melhora em 40% as análises a branqueamento de capitais e que quer tornar os seus serviços mais semelhantes a um software de gestão financeira.
Questionado sobre o impacto das tarifas no negócio, Gonçalo Vilas Boas admite um receio inicial dos empresários em atravessar o Atlântico com os seus produtos, seguido de um incremento depois do travão, pois as encomendas continuam por entregar. Entre os clientes de exportação para os Estados Unidos, o volume até cresceu, destacando-se o setor dos vinhos e algum têxtil de produto acabado.
Porque importa
A ambição da Ebury de integrar softwares de gestão como o Cegid e de conquistar clientes de maior dimensão pode alterar o equilíbrio numa área tradicionalmente dominada pelos grandes bancos. Para as empresas portuguesas que exportam, a maior concorrência no risco cambial e nos pagamentos internacionais traduz-se em mais opções de serviço.