Critical Software de Coimbra corta cerca de 200 empregos devido à inteligência artificial
A empresa portuguesa Critical Software vai reduzir o seu quadro de pessoal em cerca de 200 pessoas até ao final de 2026, devido aos avanços da inteligência artificial. A tecnológica de Coimbra deverá terminar o ano com aproximadamente 1.300 colaboradores, face aos cerca de 1.500 que tinha no início do ano.
A Critical Software, empresa portuguesa fundada em Coimbra em 1998, vai cortar cerca de 200 empregos até ao final deste ano devido aos avanços da inteligência artificial (IA), segundo noticiou o jornal Expresso, com acesso pago, e divulgou o ECO nesta sexta-feira. A redução representa 13% do quadro de pessoal.
"Perante o desenvolvimento da IA, há funções que deixam de fazer sentido. Há umas que desaparecem, outras que são transformadas e outras que são criadas", afirmou João Carreira, presidente executivo da Critical Software, em declarações ao semanário do grupo Impresa. O gestor admite que "as funções mais repetitivas, de programação, de teste, essas são muito facilmente substituídas pela máquina".
A tecnológica, que desenvolve software para aviões, comboios, missões espaciais e outros sistemas críticos, está a investir cerca de oito milhões de euros em IA. "Temos de tirar o máximo partido do que a IA nos pode dar em termos de amplificar as capacidades dos nossos engenheiros e pôr-nos numa posição de liderança", afirmou João Carreira.
A Critical Software torna-se o mais recente exemplo em Portugal deste movimento, depois de empresas como a Bhout, a Defined.ai ou a norte-americana Bitsight.
Porque importa
A decisão coloca a Critical Software no centro do debate sobre o impacto da inteligência artificial no emprego em Portugal, num setor tecnológico tradicionalmente qualificado. O exemplo mostra que a automação não se limita a funções de baixa qualificação e que também afeta postos de trabalho técnicos de programação e de teste.