Critical Software acelera crescimento com o apoio da IA e do setor da defesa
A empresa de software crítico, fundada em Coimbra em 1998, aposta na inteligência artificial e no setor da defesa para continuar a crescer. O CEO João Carreira aponta a diversificação de mercados como fator de resiliência e destaca a expansão na Alemanha e no espaço.
A Critical Software está a acelerar o seu crescimento com base em dois pilares — a inteligência artificial e o setor da defesa —, segundo o seu CEO e cofundador João Carreira. A empresa, fundada em Coimbra em 1998 por João Carreira, Gonçallo Quadros e Diamantino Costa, emprega cerca de 1.200 trabalhadores, enquanto o grupo reúne aproximadamente 4.500 pessoas, maioritariamente engenheiros.
A defesa tornou-se uma das áreas de maior crescimento. Embora a Critical Software opere neste setor desde os seus primórdios, com a Marinha Portuguesa como primeiro cliente, a guerra na Ucrânia e as alterações geopolíticas levaram a um aumento substancial dos orçamentos de defesa na Europa e nos Estados Unidos. Entre os clientes de referência estão a Diehl, a Rheinmetall, a Leonardo, a Lynx e a Airbus Defence and Space. Em 2026, a empresa lançou ainda uma startup, mantida em modo confidencial, dedicada a enxames de drones submarinos autónomos, e expandiu a sua presença na Alemanha num modelo designado por "AI-First Sovereign", com infraestrutura de IA local, segregada e desenhada para clientes de defesa.
No espaço, a empresa acompanha a chamada nova economia espacial, integrando um setor privado mais dinâmico desde o primeiro contrato com a NASA, há cerca de 25 anos. A Critical Ventures tem investimentos em empresas como a TurionSpace, na Califórnia, e a AerospaceLab, na Bélgica, que está a construir o que a empresa descreve como a maior fábrica soberana de satélites da Europa. A cerca de 90% do volume de negócios da empresa e 95% do volume de negócios do grupo são gerados nos mercados internacionais.
Porque importa
A aposta na IA e na defesa chega num momento em que a empresa procura afirmar-se como referência global no desenvolvimento de sistemas críticos com inteligência artificial. João Carreira considera que a IA vai permitir desenvolver sistemas mais complexos e mais rapidamente, mas sublinha que a responsabilidade última pelo resultado se mantém humana, dependendo o safety de um processo rigoroso de verificação e validação. O crescimento nos setores de defesa e aeroespacial reforça a necessidade de equipas nos mercados onde a empresa opera, onde a proximidade e a soberania tecnológica ganham peso.