OutroRevolut30 de setembro de 2026

CEO da Revolut defende que a confiança será o combustível do banco do futuro

Glauber Mota participou no TAG Summit 2026 para falar sobre o futuro do dinheiro, defendendo que as fintechs devem tornar-se invisíveis e que a confiança passará a decidir a relação entre clientes, bancos e agentes de inteligência artificial.

O CEO da Revolut, Glauber Mota, participou no TAG Summit 2026, realizado a 29 de setembro em parceria com o Market Makes, onde falou sobre o futuro do dinheiro e sobre a direção que o setor financeiro deverá tomar na próxima década.

Mota afirmou que não sabe como estarão a tecnologia e o dinheiro daqui a dez anos, mas que já identifica a tendência: as fintechs devem tornar-se invisíveis. O exemplo que apresentou foi o do pedido de ajuda por WhatsApp, em que ninguém quer conhecer a infraestrutura subjacente — apenas resolver o problema de forma simples e mais barata. "Aquilo que a empresa compreende são pessoas", disse, referindo que a proposta da Revolut é resolver problemas, conceder crédito e dar acesso ao cliente, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo.

No cenário que descreveu, a palavra-chave é a confiança. Em vez de premiar clientes que permaneciam ligados a uma instituição durante mais tempo, o futuro passará por "ganhar a confiança para executar operações em nome do cliente", o que equivalerá a uma espécie de cheque em branco, sempre sujeito a regulação adequada. O executivo pôs a hipótese de um agente financeiro que, ao detectar que o salário caiu e que as contas vencem em 30 dias, pergunte se o cliente pretende investir: até um valor definido, o agente executa sozinho; acima dele, é necessária autorização.

A inteligência artificial, acrescentou, não substitui o ser humano mas multiplica a sua capacidade, ajudando na tomada de decisão, na prevenção da lavagem de dinheiro e na personalização de produtos. Mota citou a AIR (AI by Revolut), agente treinado dentro da área autenticada da aplicação, com modelo conversacional para gerir as finanças — por exemplo, definir um orçamento de supermercado com base em compras anteriores ou efetuar investimentos nas jurisdições onde isso é permitido.

A Revolut está presente em cerca de 40 países e viu a receita crescer 46%, para 6 mil milhões de dólares em 2025. No Brasil, Mota destacou o cartão de crédito com milhas, cuja conversão é de um para um com companhias como a Qatar e a Iberia, afirmando que cada ponto da Revolut vale o triplo do ponto de um concorrente e que o produto escalou rapidamente.

Porque importa

A tese de Mota coloca a confiança no centro da competição bancária futura, à medida que agentes de inteligência artificial começam a operar em nome dos clientes. A posição da Revolut — presente em cerca de 40 países e com receita a crescer 46% — torna-a um interlocutor relevante nessa transição, sobretudo num mercado como o brasileiro, onde o executivo reconhece uma elevada adoção de novas tecnologias.

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