Banco de Portugal: investimento direto estrangeiro impulsiona exportações de serviços não turísticos
As empresas com participação de investimento direto estrangeiro (IDE) explicam cerca de 70% do crescimento das exportações portuguesas de serviços não turísticos entre 2016 e 2025, segundo o Banco de Portugal. As conclusões constam do Boletim Económico do Banco de Portugal, com análise da economista Ana Correia.
Entre 2016 e 2025, as exportações nominais de serviços não turísticos cresceram 127% em Portugal, ganhando peso nas exportações nacionais: a sua fatia passou de 18,4% para 23,5%, segundo o Banco de Portugal.
O Banco de Portugal atribui cerca de 70% deste crescimento às empresas de investimento direto estrangeiro (IDE). Os serviços que mais contribuíram foram os de transportes, os outros serviços empresariais e os serviços de telecomunicações, informáticos e de informação. As conclusões estão publicadas no Boletim Económico do Banco de Portugal, referente a outubro de 2026, e a análise dos dados foi feita pela economista Ana Correia.
Numa série mais alargada, entre 1996 e 2025, o peso das exportações destes serviços no PIB subiu de 3,1% para 10,3% e o saldo comercial passou de um ligeiro défice para um excedente de 3,6% do PIB. Nesse período, estas exportações cresceram em média 8,5% por ano, acima dos 7,4% do turismo e dos 4,9% dos bens.
A percentagem de empresas exportadoras de serviços não turísticos com participação de IDE aumentou de 27% em 2016 para 36% em 2025, segundo os dados do Banco de Portugal. Em termos de valor exportado, a percentagem passou de 41% para 58%, com maior peso nos serviços de telecomunicações, informáticos e de informação (85% em 2025) e nos outros serviços empresariais (73%).
As exportações destes serviços estão concentradas em poucas empresas: entre 2016 e 2025, metade das exportações foram realizadas, em média, por 1,1% das empresas exportadoras, correspondendo a 94 empresas. Em 2025, as quatro maiores exportadoras detinham 20,1% do total e as vinte maiores, 33,8%.
Porque importa
A maior participação de empresas com IDE mostra que o investimento estrangeiro está associado a uma maior integração de Portugal em cadeias de valor globais e a uma alteração da especialização externa da economia. O crescimento dos serviços não turísticos, que ultrapassou o peso do turismo nas exportações, diversifica a base exportadora do país. Como as exportações estão concentradas em poucas empresas, a evolução deste setor depende em grande medida de um número reduzido de exportadores.