Allianz Trade projeta aceleração global em 2027, mas crescimento de Portugal abranda para 1,6%
As previsões do Global Economic Outlook de outubro da Allianz Trade apontam para uma aceleração da economia global de 2,6% em 2026 para 2,8% em 2027, enquanto Portugal segue trajetória inversa, com o PIB a recuar de 2,2% para 1,6%. A seguradora de crédito identifica três focos de risco: energia, mercados obrigacionistas e Inteligência Artificial.
A economia mundial deverá acelerar de 2,6% em 2026 para 2,8% em 2027, mas Portugal seguirá trajetória inversa, com o crescimento do Produto Interno Bruto a abrandar de 2,2% para 1,6%, segundo as previsões do Global Economic Outlook de outubro da Allianz Trade, divulgadas a 7 de outubro de 2026.
Apesar da desaceleração, a economia portuguesa continuará a crescer acima da média da Zona Euro, que deverá acelerar de 1,0% em 2026 para 1,3% em 2027, defende o relatório, que aponta ainda para a Ásia como principal motor mundial, com expansão de cerca de 4,4%.
No plano dos preços, a persistência da energia cara deverá manter a inflação um a dois pontos percentuais acima das metas dos bancos centrais até à segunda metade de 2027. Em Portugal, a inflação deverá acelerar de 2,3% em 2025 para 2,9% em 2026, recuando para 2,2% em 2027. A Allianz Trade espera mais duas subidas de 25 pontos base do Banco Central Europeu até final de 2026, elevando a taxa de depósito para 3%, seguidas de uma pausa prolongada em 2027.
A seguradora de crédito identifica três focos de risco para o cenário base — energia, mercados obrigacionistas e Inteligência Artificial. No mercado energético, o preço médio do Brent deverá recuar de 87 dólares por barril no quarto trimestre de 2026 para 76 dólares em 2027, num cenário de Médio Oriente controlado, enquanto o gás europeu (TTF) deverá cair de cerca de 65 euros/MWh no quarto trimestre de 2026 para cerca de 36 euros/MWh em 2027.
Para as empresas, o ambiente mantém-se exigente: o crescimento dos resultados está concentrado em IA, defesa e energia, enquanto setores cíclicos como automóvel, construção, maquinaria, têxteis e equipamentos de transporte enfrentam maior dificuldade em repercutir custos. As insolvências empresariais deverão aumentar pelo menos 4% a nível global em 2026, no quinto ano consecutivo de subida. Em Portugal, deverão manter-se relativamente estáveis em torno de 2.300 processos em 2026, subindo ligeiramente para cerca de 2.400 em 2027.
Porque importa
O abrandamento do crescimento português para 1,6% em 2027, combinado com uma inflação ainda elevada e juros em níveis mais altos, pressiona a margem das empresas e pode traduzir-se em mais insolvências. Para quem procura emprego ou negócios em Portugal, trata-se de um cenário de menor dinamismo do que a média europeia, apesar de o país continuar a crescer acima da Zona Euro.